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Fecha de actualización:
10/11/2008

 

 

 

Trabalho para os jovens

Eurides Brito

Um dos maiores problemas do Brasil e de grande parte do mundo hoje é a falta de trabalho e de preparação para os jovens. Os aposentados e pensionistas são considerados muitas vezes um peso para a sociedade, embora passem a vida contribuindo para a previdência. Por isso, cada vez mais tende a aumentar a idade para a aposentadoria. Porém, quanto mais tempo uma geração trabalha, maiores são as dificuldades para os jovens entrarem no mercado de trabalho. Em outras palavras, se puxar o cobertor curto para obrigar os mais velhos a ficarem em atividade por mais tempo, falta espaço para a juventude. Se puxar o cobertor para os jovens, os aposentados recebem da previdência por mais tempo.

Uma das soluções possíveis para melhorar a grave situação dos jovens é a preparação educacional e profissional. O adolescente de 17 anos que terminar o Ensino Médio na idade própria em 2007 poderá trabalhar até cerca de 2055, ou mais, quando completar 65 anos de idade. Já na segunda metade do século 21, provavelmente terá mudado várias vezes de ocupação durante a sua vida ativa. Como serão o mundo, o Brasil e o Distrito Federal em 2055?

A espera do inesperado faz da educação geral a melhor alternativa de educação profissional. Nesse sentido, cabe à educação básica alfabetizar os alunos em todas as dimensões, tanto no que se refere à lecto-escritura, quanto à informática e a outras formas de linguagem. Esta complexa alfabetização deve ter como tônica aprender a aprender, motivo pelo qual equipamentos e instalações são necessários, mas não suficientes para promover a renovação necessária do sistema escolar. O Ensino Médio, em particular, precisa preocupar-se em desenvolver capacidades necessárias à cidadania e ao trabalho.

Quando acaba o Ensino Médio, o aluno sabe expressar-se oralmente e por escrito, inclusive diante de grupos? Sabe discutir idéias democraticamente e trabalhar em equipe? Consegue detectar problemas e solucioná-los? Tomar iniciativas pelo menos em face de situações de curto prazo? Utilizar diferentes linguagens, inclusive da matemática e da informática, e aplicar o método científico?

Desse modo, a profissionalização tem a sua base na boa educação geral, sem que esta dispense a educação profissional, a não ser para grupos ocupacionais que não requerem uma preparação duradoura.

Se a educação profissional menos curta e especializada não é a receita para todos os casos, o que fazer quando ela é indispensável? Em primeiro lugar, a educação profissional, sempre que possível, deve andar de mãos dadas com a educação geral. Em segundo lugar, a educação profissional precisa ser flexível, dada a variação de cenários do mercado de trabalho. Está há muito superada a preparação específica para empregos como um fim em si mesma, quando se estimava quantos seriam os empregos e quantos seriam os formados. Em situações de rápida mudança, o Distrito Federal precisa saber como se desenvolverá a economia a curto, médio e longo prazos e quais as tendências do trabalho e do emprego. A partir daí, é preciso melhorar a empregabilidade e a capacidade de trabalho e empreendimento, sobretudo da população de baixa renda, para reduzir a exclusão social.

Para isso, algumas soluções são urgentes, como criar cursos básicos e técnicos de educação profissional, sobretudo nas regiões administrativas não contempladas. Além disso, é preciso estender centros de educação profissional existentes a estas regiões, aproveitando a sua experiência. Mas, acima de tudo, é preciso que todos pensem e ajam conforme a nova realidade: curso profissional não é para ser oferecido o tempo todo do mesmo jeito. Os cursos precisam focalizar novas oportunidades e acompanhar as transformações do trabalho. Tudo tem que mudar depressa e, em vez de correr atrás das tendências das ocupações e da economia, é preciso prever o que ainda vai acontecer.Isso é o mínimo que a nossa geração deve fazer pelos jovens para acabar com a situação humilhante de procurar trabalho e não encontrar.

Eurides Brito (PMDB) é deputada distrital.

Fuente: Jornal de Brasília (DF). Quarta-feira, 1 de Novembro de 2006
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