Um dos maiores problemas do Brasil e de grande parte do mundo hoje
é a falta de trabalho e de preparação para os jovens.
Os aposentados e pensionistas são considerados muitas vezes um
peso para a sociedade, embora passem a vida contribuindo para a previdência.
Por isso, cada vez mais tende a aumentar a idade para a aposentadoria.
Porém, quanto mais tempo uma geração trabalha,
maiores são as dificuldades para os jovens entrarem no mercado
de trabalho. Em outras palavras, se puxar o cobertor curto para obrigar
os mais velhos a ficarem em atividade por mais tempo, falta espaço
para a juventude. Se puxar o cobertor para os jovens, os aposentados
recebem da previdência por mais tempo.
Uma das soluções possíveis para melhorar a grave
situação dos jovens é a preparação
educacional e profissional. O adolescente de 17 anos que terminar o
Ensino Médio na idade própria em 2007 poderá trabalhar
até cerca de 2055, ou mais, quando completar 65 anos de idade.
Já na segunda metade do século 21, provavelmente terá
mudado várias vezes de ocupação durante a sua vida
ativa. Como serão o mundo, o Brasil e o Distrito Federal em 2055?
A espera do inesperado faz da educação geral a melhor
alternativa de educação profissional. Nesse sentido, cabe
à educação básica alfabetizar os alunos
em todas as dimensões, tanto no que se refere à lecto-escritura,
quanto à informática e a outras formas de linguagem. Esta
complexa alfabetização deve ter como tônica aprender
a aprender, motivo pelo qual equipamentos e instalações
são necessários, mas não suficientes para promover
a renovação necessária do sistema escolar. O Ensino
Médio, em particular, precisa preocupar-se em desenvolver capacidades
necessárias à cidadania e ao trabalho.
Quando acaba o Ensino Médio, o aluno sabe expressar-se oralmente
e por escrito, inclusive diante de grupos? Sabe discutir idéias
democraticamente e trabalhar em equipe? Consegue detectar problemas
e solucioná-los? Tomar iniciativas pelo menos em face de situações
de curto prazo? Utilizar diferentes linguagens, inclusive da matemática
e da informática, e aplicar o método científico?
Desse modo, a profissionalização tem a sua base na boa
educação geral, sem que esta dispense a educação
profissional, a não ser para grupos ocupacionais que não
requerem uma preparação duradoura.
Se a educação profissional menos curta e especializada
não é a receita para todos os casos, o que fazer quando
ela é indispensável? Em primeiro lugar, a educação
profissional, sempre que possível, deve andar de mãos
dadas com a educação geral. Em segundo lugar, a educação
profissional precisa ser flexível, dada a variação
de cenários do mercado de trabalho. Está há muito
superada a preparação específica para empregos
como um fim em si mesma, quando se estimava quantos seriam os empregos
e quantos seriam os formados. Em situações de rápida
mudança, o Distrito Federal precisa saber como se desenvolverá
a economia a curto, médio e longo prazos e quais as tendências
do trabalho e do emprego. A partir daí, é preciso melhorar
a empregabilidade e a capacidade de trabalho e empreendimento, sobretudo
da população de baixa renda, para reduzir a exclusão
social.
Para isso, algumas soluções são urgentes, como
criar cursos básicos e técnicos de educação
profissional, sobretudo nas regiões administrativas não
contempladas. Além disso, é preciso estender centros de
educação profissional existentes a estas regiões,
aproveitando a sua experiência. Mas, acima de tudo, é preciso
que todos pensem e ajam conforme a nova realidade: curso profissional
não é para ser oferecido o tempo todo do mesmo jeito.
Os cursos precisam focalizar novas oportunidades e acompanhar as transformações
do trabalho. Tudo tem que mudar depressa e, em vez de correr atrás
das tendências das ocupações e da economia, é
preciso prever o que ainda vai acontecer.Isso é o mínimo
que a nossa geração deve fazer pelos jovens para acabar
com a situação humilhante de procurar trabalho e não
encontrar.
Eurides Brito (PMDB) é deputada distrital.
Fuente: Jornal de Brasília (DF). Quarta-feira, 1 de Novembro
de 2006
OPINIÃO