POLÍTICAS DE JUVENTUDE. ESTADO DO
ARTE
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VII. PROPOSTAS ALTERNATIVAS
Novos conceitos alimentam a vida cotidiana dos homens e se cristalizam
em transformações de grande importância para o futuro. A democracia
emerge como o valor de base do desenvolvimento político, social e econômico
dos povos. O novo modelo social vem sendo marcado, no Brasil, na década
de 90, por uma idéia que ganha força na sociedade: o exercício da cidadania.
Pode-se observar, também,estas transformações, através
da situação da juventude nos seguintes aspectos: inserção na estrutura
social, nível de acesso à educação, ao emprego, à saúde e a outras oportunidades
sociais. No Brasil, as formas de inserção e as modalidades de ação dos
jovens variam enormemente pois, não existe apenas uma juventude, mas
diferentes juventudes. Entretanto, há fatores e condições que obrigam
à tomada de projetos globais por parte do governo. Na situação atual
do país, a juventude é marcada pelos efeitos da crise e pela necessidade
da criação de mais riquezas e bem-estar. Esta faixa da população deve
ser considerada como um setor estratégico para o desenvolvimento da
Nação. Quanto mais chances forem dadas à Juventude, maiores serão as
possibilidades de obter-se uma vida melhor e mais próspera. Oportunidades
de escolarização, de trabalho e de acesso ao bem-estar social, cultura
e lazer, devem ser as principais metas das políticas sociais do governo.
Educação
" A diminuição das desigualdades econômicas e
a maior participação na comunidade e na sociedade dependem da extensão
da educação básica para todos os membros da sociedade. Através da educação
básica, a criança deveria adquirir não apenas os meios fundamentais-
leitura, excrita e cálculo- mas também os conhecimentos básicos para
a vida e a capacidade cognitiva que permita a aprendizagem futura."
(Crianças e Adolescentes, Indicadores Sociais, nº 4).
No entanto, o fato de um número de alunos conseguir
ultrapassar as barreiras das altas taxas de repetência e evasão escolar
no ensino fundamental, não lhes assegura o acesso aos conhecimentos
considerados como necessidades básicas educacionais. Apesar dos avanços
na alfabetização dos brasileiros, muitos adolescentes não conseguem
completar sua educação (do primeiro ou segundo grau) e, se alcançam
estes níveis, o tempo dispendido é muito maior do que o necessário.
Os jovens do meio rural, que têm à sua disposição uma escola municipal,
estão em situação muito desfavorável em relação aos jovens do meio urbano,
no que se refere à qualificação dos professores. Entre as muitas dificuldades
que o sistema educacional brasileiro enfrenta estão a centralização,
a falta de acesso do professor às grandes discussões acerca dos problemas
educacionais e a falta de um diagnóstico criterioso das reais condições
da educação brasileira, para que planos, leis e programas sejam adequados
à nossa realidade.
Propostas
Apesar do tamanho e da complexidade dos problemas atuais
e das dificuldades sócio-econômicas e políticas do Brasil, importantes
ações corretivas e inovadoras estão e deverão ser elaboradas. Uma das
medidas do "Plano Decenal de Educação para Todos" consiste
em intensificar as ações e programas em curso:
- intensificar os projetos de articulação sistemática
entre a universidade com a educação básica, estabelecendo prioridade
à formação de professores e aos programas de atualização docente continuada;
- utilizar os meios de comunicação social na mobilização
da sociedade para a universalização do ensino fundamental, divulgação
de experiências inovadoras e positivas e desenvolvimento de programas
de educação à distância;
- solicitar a participação dos diversos segmentos da
sociedade civil nos processos de elaboração e implementação de políticas
e avaliação da educação básica, com a consequente co-responsabilidade
pelos seus resultados;
- melhorar a qualidade do ensino;
- reformar os curriculos dos cursos de 1º, 2º e 3º
graus;
- garantir o emprego eficaz e oportuno dos recursos
previstos pela Constituição;
- elevar a qualidade do ensino fundamental através
do reconhecimento da escola como sendo o espaço central da atividade
educativa, dotada de estrutura material, pedagógica, organizacional
e financeira para que sejam satisfeitas as necessidades de aprendizagem
das crianças e adolescentes;
- desenvolver mecanismos para o acesso e permanência
dos estudantes no sistema educativo;
- valorizar o professorado, social e profissionalmente,
incentivando a realização de programas de formação permanente, através
de planos de carreira, melhor remuneração e outras vantagens que estimulem
a melhoria e o rendimento do professor e da administração escolar;
- definir as competências e responsabilidades das diferentes
instâncias do poder público incorporando a participação de organismos,
grupos sociais e da família no processo de gestão das políticas educacionais
e da escola;
- estimular a paridade de prestígio entre educação
acadêmica e profissionalizante;
- tornar as escolas de 1º e 2º graus um local de encontro
e um polo integrador de jovens com a comunidade.
Trabalho
Historicamente, o trabalho sempre fez parte do cotidiano
das crianças e adolescentes das populações mais pobres, independente
do grau de desenvolvimento e modos de produção da sociedade em que vivem.
A situação de pobreza impele os adultos a utilizarem a força de trabalho
dos filhos para manter a sobrevivência familiar. "A maioria das
crianças e adolescentes trabalhadoras desenvolve atividades no mercado
informal e em idade cada vez mais precoce. Na zona rural, é decisiva
a participação desse segmento nas atividades diretamente ligadas à produção
agro-industrial. Os exemplos mais marcantes estão nas culturas da laranja,
cana de açúcar, algodão, sisal, coco-babaçu, chá...A capacidade produtiva
de um adolescente nessas culturas chega, muitas vezes, a ser maior que
a de seus pais e, aí, reside a sua imprenscinbilidade. Porém, tanto
crianças como adolescentes, não aparecem contratados diretamente. A
contratada é a unidade familiar." (Revista forum DCA, nº 3, p.7).
Outro fator agravante desta situação é a dificuldade
do controle do trabalho infanto-juvenil. O pequeno número de projetos
de proteção às crianças, de formação profissional de adolescentes e
a manutenção da dicotomia Educação/Trabalho, também reforçam a condição
de dupla exclusão: nem escolarização, nem formação profissional. Quando
se fala em educação para o trabalho, espera-se que a escola ofereça
elementos para o desenvolvimento científico, o aprendizado de certas
técnicas e as informações para um suposto treinamento posterior, na
área em que o jovem pretende atuar.
Propostas
- melhorar o sistema de apoio financeiro para as atividades
agropecuárias, artesanais e comerciais dos jovens do meio rural;
- incentivar a instalação de atividades produtivas,
pelos jovens, em sua região de origem;
- capacitar os jovens rurais para que eles se adaptem
ao novo contexto social, em caso de migração;
- criar condições de capacitação técnica e oportunidades
de trabalho nas comunidades locais;
- promover campanhas visando a criação de mais fontes
de trabalho em favor da juventude rural;
- possibilitar o enquadramento de mão de obra de jovens
deficientes físicos e sensoriais através de campanhas de conscientização
e incentivo financeiro.
Capacitação para o trabalho
- intensificar a aprendizagem e o manejo de novos instrumentos
técnológicos;
- priorizar a atenção aos jovens com baixa ou nula
qualificação profissional;
- estimular a realização de estágios nas empresas;
- implementar os incentivos para que as empresas absorvam
jovens, visando o seu aprendizado prático de um ofício;
- incentivar a criação de cursos técnicos e profissionalizantes
que desenvolvam as habilidades dos jovens e preparem-os para o mercado
de trabalho;
- criar serviços de informação para auxiliar nas questões
relativas à entrada no mercado de trabalho;
- assegurar o cumprimento da legislação sobre o trabalho
dos jovens.
Saúde
"À diferença da população dos outros grupos etários,
os adolescentes não se beneficiam de programas específicos de saúde.
Por ser a adolescência uma das etapas mais saudáveis do ciclo da vida
humana, as principais causas de morte nesse grupo etário são os homicídios
e acidentes. As adolescentes grávidas são menos propensas do que as
mulheres grávidas com mais idade a fazerem pré-natal. além disso, as
adolescentes têm maior probabilidade de dar à luz em hospitais públicos
que particulares. Há um interesse crescente, tanto do setor público
como do privado, em criar programas de saúde especiais e abrangentes
para adolescentes. Da mesma maneira, após duas décadas de oposição oficial
à educação sexual, governos estaduais e municipais, e um bom número
de agências governamentais, vêm agora se mostrando interessados em iniciativas
para testar currículos, assim como para treinar professores e líderes
comunitários a desenvolver cursos de educação sexual para adolescentes."(
Adolescentes de Hoje, Pais do amanhã: Brasil, p.73). Outros problemas
que envolvem os jovens são aqueles relacionados à sexualidade, distúrbios
mentais e o abuso de drogas. Diante destas questões, os jovens ainda
passam pela dificuldade de não contarem com serviços de apoio psicológico,
serviço médico e de informação, que deveriam atendê-los de maneira diferenciada
e eficiente.
Propostas
- trabalhar com as especificidades das demandas juvenis
em relação aos serviços gerais na área de saúde, proporcionando atendimento
adequado a esta faixa etária;
- formação de profissionais com conhecimento da saúde
integral do adolescente;
- formação de monitores de saúde entre os jovens, aumentando
a participação do próprio segmento atendido na prevenção e resolução
dos problemas;
- utilizar os meios de comunicação de massa para divulgar
campanhas de esclarecimento e prevenção;
- produzir materiais informativos que atinjam clara
e diretamente a população juvenil;
- investir no tratamento dos jovens doentes de AIDS,
incrementando os cuidados clínicos, o apoio afetivo e uma postura frente
à discriminação social deste segmento;
- apoiar as jovens grávidas solteiras e as mães adolescentes;
proteger seus filhos garantindo igualdade de oportunidades nos campos
de estudo, emprego e assistência médica;
- proteger legalmente o jovem dependente de drogas;
estimular a reabilitação através de programas que possibilitem sua recuperação
física e psicológica e sua inserção na sociedade;
- educar os jovens mediante programas nos meios de
comunicação a respeito dos efeitos negativos das drogas, e propor condutas
alternativas nos campos do esporte e do lazer;
- proporcionar serviços acessíveis de intervenção e
encaminhamento, sediados nas escolas e comunidades, para assessorar
e tratar estudantes com problemas na área da sexualidade e uso de drogas;
- definir uma política de planejamento familiar resguardando
o direito do casal ao poder decisório;
- promover e apoiar iniciativas de voluntariado de
jovens em campanhas de saúde estimulando, sobretudo, a metodologia de
intercâmbio entre jovens rurais e urbanos;
- fomentar atividades voluntárias pelos jovens, em
serviços de reabilitação de enfermos e deficientes;
- criar centros de assistencia a dependentes de drogas,
em nível municipal, numa concepção de trabalho integrado com família
e comunidade;
- fomentar a realização de pesquisas epidemiológicas
sobre os problemas de saúde que atingem mais os jovens;
- enfatizar a obrigatoriedade da educação sexual nas
escolas de 1º e 2º graus das redes pública e privada.
Participação
A falta de um projeto de vida da maioria dos jovens,
ocasionado, em parte, pelo desconhecimento de seus direitos, deveres,
capacidades, importância e papel social, tem gerado o distânciamento
deste grupo de sua atividade cidadã. Sentindo-se excluído dos mecanismos
que movem a sociedade, o jovem se isola e não utiliza suas energias
para realizar ações tranformadoras. Para reverter este quadro, serão
necessários estímulos para que os jovens incorporem, participem e vivenciem
mais intensamente sua relação com a esfera social.
Propostas
- incrementar e consolidar meios e mecanismos de informação
juvenil nas próprias instituições que trabalham e desenvolvem serviços
para os jovens;
- estimular a participação dos jovens nas decisões
sócio-políticas, principalmente, nos âmbitos municipal e estadual;
- garantir a representação dos interesses e dos pontos
de vista juvenis nas instituições sociais e políticas;
- incentivar e apoiar a formação de grupos e associações
juvenis a partir de interesses comuns dos jovens;
- promover a participação voluntária dos jovens em
atividades sociais;
- propiciar a inovação da utilização do tempo livre
com atividades que estimulem a integração, o diálogo e a comunicação
entre os jovens de uma mesma e/ou diferentes regiões;
- patrocinar a divulgação e a defesa dos direitos dos
jovens em instâncias públicas e privadas e através dos meios de comunicação
de massa;
- fomentar a igualdade entre os sexos e a integração
das minorias étnicas desde a infância.
Turismo e Lazer
É fundamental a orientação e oferta de atividades para
que os jovens empreguem, da melhor maneira, seu tempo livre. Para isto,
devem existir espaços apropriados para seu desenvolvimento profissional.
É importante o conhecimento de suas capacidades e fraquezas para encontrar
o ponto de partida dentro do espaço comunitário, propiciando uma convivência
social pacífica.
Propostas
- facilitar e estimular programas de intercâmbio de
jovens entre as diferentes regiões do país;
- criar sistemas de financiamento especial para a realização
de viagens de cunho social-educativo;
- aumentar os espaços físicos e os recursos financeiros
para o incentivo à prática de atividades artísticas, culturais e turísticas
pelos jovens;
- fomentar o ecoturismo como forma de educação ambiental;
- promover internamente o turismo jovem reduzindo seus
custos econômicos.
Cultura
Propostas
- criar o Cartão Jovem, em nível nacional , facilitando
o acesso a bens materiais e sócio-culturais;
- estimular a organização dos jovens para o desenvolvimento
de atividades que enriqueçam o patrimônio cultural;
- resgatar os valores culturais regionais através da
pesquisa e estímulo à realização de manifestações artísticas e folclólricas;
- premiar, através de concursos, a criatividade dos
jovens artistas.
Desporto
O esporte deve ser encarado como parte da educação
integral e como democratizador de oportunidades para todos os jovens.
"O esporte, manifestação humana que expressa valores culturais
de uma sociedade, dá ao homem a oportunidade para o uso social de sua
atividade motora e constitui complexo conjunto de relações de um fenômeno
de massa de nossa época. Este fenômeno, em quaisquer de suas manifestações,
associa-se ao pleno desenvolvimento da capacidade humana". (Fundamentos
para a Elaboração das Propostas Pedagógicas do Programa dos CIACs, Presidência
da República, Secretaria dos Desportos, Abril 1992)
Propostas
- considerar os jovens como segmento prioritário das
ações a serem desenvolvidas nas áreas do esporte, lazer e educação física;
- criar espaços físicos comunitários para a prática
de esportes;
- oportunizar, nas escolas, a prática de atividades
esportivas que estimulem a integração e o exercício da cidadania;
- pesquisar, planejar e estimular a formação de equipes
esportivas e atletas universitários, em nível nacional.