POLÍTICAS DE JUVENTUDE. ESTADO DO
ARTE
ÍNDICE
PARTE I
I. APRESENTAÇÃO
II. INTRODUÇÃO
III. ASPECTOS
SÓCIO- ECONÔMICOS E DEMOGRÁFICOS
PARTE II
IV. DAS
POLÍTICAS SOCIAIS
PARTE III
V. DOS
RECURSOS INVESTIDOS
PART IV
VI. DOS
PROGRAMAS SOCIAS
VII. PROPOSTAS
ALTERNATIVAS
I. APRESENTAÇÃO
Este informe representa um primeiro esforço globalizante que
uma instituição não governamental realiza no sentido
de sintetizar e diagnosticar o perfil da juventude no Brasil, na década
de 90, com uma visão retrospectiva das décadas anteriores.
Muitas das lacunas e insuficiências que perpassam o relatório
se devem ao caráter pioneiro deste empreendimento realizado em
um país que sequer possui órgãos especializados,
à nível governamental, para a Juventude em todas as suas
instâncias (Federal,Estadual,Municipal). De fato, este foi um
obstáculo para a coleta de dados sobre a juventude, que se encontravam
dispersos em meio a tantas esferas administrativas do governo com outras
designações.
Acresceu-se a isto, o fato de que vivemos, em nosso país, ainda
as mudanças geradas pela posse do novo Governo que assumiu em
março de 1995. Isto acarretou uma grande dificuldade de acesso
aos
diversos órgãos que encontram-se em fase de organização.
Um indicador deste quadro, é que o plano do governo só
será definitivamente discutido em julho de 1995. Por ora, atuam
apenas com base em suas propostas de campanha eleitoral. Desta forma,
muitos Ministérios não forneceram, a esta pesquisa, dados
e coordenadas que ainda não haviam sido aprovados. Outra limitação
que impediu um maior aprofundamento do Informe, foi a exiguidade de
tempo para eleborá-lo, levando-se em conta que partia-se da estaca
zero, num contexto onde todas as reflexões sobre a questão
da infância e adolescência estavam dispersas em diversos
centros, instituições e pesquisadores avulsos deste país
continental.
Detectou-se, também, como dificuldade para traçar um
panorama mais amplo sobre a questão da juventude brasileira,
a tendência permanente na grande maioria das análises feitas
por instituições ou por pesquisadores sociais, de contemplar
apenas a juventude marginalizada ou em situação de risco,
não levando em conta em seus estudos, como modelo de uma realidade
exitosa, mesmo que minoritária, a juventude produtiva, engajada
no mercado de trabalho, na universidade, nas áreas da ciência,
tecnologia, artes e esportes, que tem fornecido, com seu esforço
e mérito, um exemplo e uma trilha a ser percorrida. Desta forma,
um foco constante por sobre as desigualdades e exclusões, que
constituem, sem dúvida, a regra neste país e na América
Latina, se esquece de registrar as experiências e iniciativas
positivas de afirmação de uma juventude que vem se superando
ajudada por parcerias gestadas no seio da sociedade civil entre a iniciativa
privada e ONGs com o apoio do Governo.
Por isso tudo, assume-se, aqui, uma certa frustação por
não se apresentar um trabalho com o grau de detalhamento e profundidade
que se desejava. Esta constatação, aponta, porém,
para a necessidade da constituição de um Centro de Estudo
e Pesquisa da Juventude Brasileira, que possa coletar, sistematizar
e produzir uma reflexão e conhecimento sobre o estado atual da
juventude no Brasil, nos seus mais diferentes aspectos. Para tal, a
Fundação Mudes já dispões de um abalisado
Centro de Informação que, até o presente momento,
tem conseguido com eficácia, levantar informações
para o atendimento das demandas múltiplas dos diversos segmentos
da juventude que recorrem à Instituição. Trata-se
agora de não apenas buscar informações para municiar
as demandas juvenis das mais variadas
procedências, mas de coletar dados para produzir análises
substanciais quantitativas e qualitativas, que possam construir um quadro
conceitual mais amplo sobre a juventude brasileira. Esta foi, com certeza,
a grande contribuição que a missão confiada pela
OIJ à Fundação Mudes/IJ, logrou estabelecer: despertar,
na Organização, a consciência da necessidade de
produzir um saber mais acurado e científico sobre a situação
da juventude brasileira, útil para ela própria, assim
como para os governos e toda a sociedade.
II. INTRODUÇÃO
O jovem constitui um grupo importante em qualquer sociedade. Eles são,
a medida do passado recente, ao mesmo tempo, em que neles é depositada
a esperança do futuro. O regime que se instalou no Brasil por
um período de mais de 20 anos, a partir de 1964, cerceou a participação
do jovem na vida politica e social, dificultando a renovação
de quadros e lideranças de toda uma geração no
exercício de sua cidadania. Na segunda metade da década
de oitenta, durante o processo de democratização , o jovem
brasileiro mobilizou-se para a campanha das eleições diretas
à Presidência da República e, em 1992, foi decisiva
sua atuação, através de manifestações
públicas pelo "impeachment" do primeiro presidente
eleito por voto direto após o regime iniciado em 1964, movimento
este que ficou conhecido como o dos "caras pintadas". Apesar
da liberdade conquistada, ainda falta muito para o jovem brasileiro
se afirmar enquanto segmento consciente de sua posição
face à sociedade e os poderes constituídos. Além
das razões históricas, econômicas e sociais, vários
são os fatores que vem contribuindo para esta insufiência.
Entre eles, a influência dos meios de comunicação
de massa estimulando o consumo e globalizando hábitos e costumes.
Na maioria das sociedades, a transição da adolescência
para a vida adulta é marcada por vários ritos de passagem
altamente significativos. Os mais óbvios são a saída
da escola e do lar paterno, a procura do trabalho, a prestação
do serviço militar, o casamento e a constituição
da família. Portanto a passagem de um estado de indefinição
e dependência a outro de responsabilidade e autonomia na juventude,
precisa ser orientado pela sociedade como um todo, através de
suas instituições. Embora, uma nova consciência
esteja emergindo na sociedade brasileira, a partir da década
de 80, e esta reflita na Constituição Brasileira de 1988
uma forte tendência pelo social, inexiste organismo governamental
especializado na execução de Programas de Juventude. Razão
pela qual não se consegue identificar com clareza nos orçamentos
das diversas esferas administrativas (União, Estados e Municípios)
rubricas específicas registrando recursos para programas, projetos
ou atividades destinadas aos jovens, exceto alguns isolados como no
caso da saúde onde encontram-se programas voltados para gravidez
precoce, doenças sexualmente transmissíveis e outros.
Isto gera uma grande lacuna, seja institucional, seja legal, no reconhecimento
pelo poder público de uma dimensão estritamente juvenil.
Consequentemente, constata-se, no âmbito das políticas
públicas, a inexistência de "Política de Juventude".
Portanto, desde o início residiu aí a dificuldade na
elaboração de um Informe Nacional que tratasse da "questão
da juventude" na sua especificidade. Embora a lei 8069/90, de 13
de julho de 1990, tente suprir esta lacuna, regulamentando os direitos
dos mais jovens -Estatuto da Criança e do Adolescente. Nele considera-se
adolescente, aqueles entre 12 e 18 anos de idade, estendendo-se esta
proteção, em casos exepcionais, até os 21 anos.
Desta forma, a base de dados da pesquisa encontra-se pulverizada, segmentada
em áreas conceituadas como da infância e da adolescência
ou da "menoridade" conforme conceito pré anos 90. O
Perfil de Juventude contido neste Informe é determinado, principalmente,
pelo segmento atendido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente
- ECA que abrange a faixa etária de 12 a 18 anos, em alguns casos
estendendo-se até os 21, assim como pela análise dos dados
estatísticos da população com idade entre 15 a
19 anos, com o objetivo de adaptar-se, da melhor maneira, ao conceito
de juventude utilizado pela OIJ, que engloba a faixa de 15 a 29 anos.
Diante dessas considerações, contextualizar a juventude,
tal como requer este Primeiro Informe, representa, sem dúvida
um ato de ousadia, que se assume como um desafio e um primeiro passo
na aprimoração de diagnósticos futuros cada vez
mais precisos e completos sobre o quadro da juventude no país.
O Informe que aqui se introduz contemplarará a seguinte ordem
de apresentação. Inicia-se com a apresentação
dos ASPECTOS SÓCIO-ECONÕMICOS E DEMOGRÁFICOS da
juventude, que arrola o quadro econômico do país seguido
de um perfil geral da população jovem brasileira, acrescido
dos indicadores de estrutura e renda familiar, educação,
qualificação e trabalho.
Como tópico seguinte, apresenta-se as POLÍTICAS SOCIAIS
para juventude que contém inicialmente um Resumo Histórico,
passando-se aos quesitos de gerenciamento dos programas e políticas
governamentais, concluindo-se com o reordenamento institucional e a
democratização do poder público face ao atendimento
à juventude, donde se destaca um quesito particular para o Estatuto
da Criança e do Adolescente (ECA). Prossegue-se com a apresentação
dos RECURSOS INVESTIDOS, onde se analisa o papel do Estado como captador,
gerenciador e repassador de recursos para a área social diante
da sua crise e decadência assim como os ganhos obtidos na Constituição
de 1988 e suas implicações na política de financiamento
para área social. Dá-se seguimento com a exposição
do tópico PROGRAMAS SOCIAIS, que se desdobra num Resumo Histórico,
seguido de uma síntese dos programas-chaves governamentais da
década de 90, quais sejam: Educação, Trabalho,
Saúde, Assistência Social, Cultura, Desporto, Turismo.
Por fim, apresenta-se as Propostas Alternativas para uma política
de juventude no Brasil, onde procura-se situar áreas principais
de intervenção e uma estratégia de implementação.
Segue como Anexo uma ampla Bibliografia completa e o Estado da Arte
enfocando o quadro da Juventude Brasileira nos anos 90.
As informações aqui apresentadas não pretendem
ser originais nem muito menos exaustivas. Trata-se, na realidade, de
um esforço de síntese das principais informações
disponíveis em torno do tema e das questões que pretendeu-se
aqui responder.
