POLÍTICAS DE JUVENTUDE. ESTADO DO
ARTE
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PARTE IV
VI. DOS PROGRAMAS SOCIAS
A transferência das iniciativas privadas de atendimento social à adolescentes,
conhecidas como caridade e filantropia, para o âmbito do Estado, teve
dois momentos fortes: o primeiro na década de 40, no período da Ditadura
de Vargas, quando foram criados o Serviço de Assistência Menor - SAM,
a Legião Brasileira de Assistência - LBA, a "Casa do Pequeno Jornaleiro",
o "Departamento Nacional da Criança" etc, o segundo, nos Governos
Militares pós 64, quando se promoveram reformas na política e nas instituições
públicas que engendraram a Política de Bem-Estar do Menor. Esta política,
era "predominantemente funcionalista" (SANTOS, B.R., 1993,p.13).
Concebia o adolescente marginalizado como "anomalia de uma sociedade
que funcionava bem", como uma "peça estragada de uma engrenagem"
(SANTOS, B.R. 1993,P13). O adolescente era visto como réu e não como
vítima do contexto social da família e da comunidade. Logo, tratava-se
de controlá-lo para que ele não se insurgisse.
A resultante desta política foi, segundo o mesmo autor,
de cunho estigmatizante e segmentador, rotulando "os filhos dos
trabalhadores de: menor carente, menor abandonado, menor de conduta
anti-social, infrator, delinquente" e criando uma trajetória moralista
a ser percorrida por eles, sob o compasso de um "tratamento assistencialista,
paternalista, correcional" (SANTOS, B.R., 1993, p.13). Este modelo
assentado no ciclo captura-recepção - triagem-deportação, visava assegurar
a ordem estabelecida, segregando os comportamentos tidos como "anti-sociais"
e não enfrentando a problemática de se assumir a responsabilidade direta
da sociedade, no caso. Dentre as insensibilidades que o modelo da "Política
do Bem-Estar do Menor" propiciava, destaca-se o modelo de família
adotado como padrão para se trabalhar este adolescente, - o de classe
média - desconsiderando com isso a estrutura particular da família de
onde saíam esses adolescentes, que era uma família pauperizada e marginal,
voltada totalmente para suas estratégias de sobrevivência. Também, os
programas preventivos pedagógicos buscavam a ocupação integral do tempo
do adolescente, sem perceber seu ritmo de vida e de sociabilidade, tendo
como consequência desta ação à colocação destes adolescentes como que
numa "redoma de vidro", fora de sua realidade.
6.1. Síntese Programática
A seguir apresenta-se uma breve descrição de
alguns programas em vigor no Brasil, durante os anos 90, nas áreas da
Educação, Trabalho, Saúde, Assistência Social, Cultura, Desporto e Turismo..
Mais uma vez , ressalta-se que, como no País não existe uma política
específica para a Juventude, estes programas, na maioria dos casos,
são dirigidos à população como um todo, ou então, a grupos que podem
ser definidos pela idade, nível de escolarização ou profissionalização,
sexo (a exemplo daqueles na área da saúde) etc.
6.1.1. Educação
Apesar da considerável expansão quantitativa do sistema
educativo brasileiro a partir da década de 80,fica clara a necessidade
do país de adaptá-lo às exigências para um desenvolvimento eficaz do
ponto de vista econômico, democrático e social. De acordo com o IBGE,
em 1990, 30,6 milhões de analfabetos com idade superior a 5 anos, 3,9
milhões têm entre 15 e 29 anos.. Em março de 1990 o Brasil participou
da Conferência Mundial "Educação para Todos", realizada em
Jomtien, na Tailândia, onde o governo brasileiro assumiu o compromisso
de desenvolver ações que garantam à população, o direito a uma verdadeira
educação. Em 1991 o governo federal lançou o projeto "Minha Gente",
que tinha por objetivo promover, em âmbito nacional, ações integradas
de educação,saúde, assistência e promoção social relativas à criança
e ao adolescente, e a sua integração na comunidade. Para dar suporte
às atividades, foram implantadas unidades físicas denominadas Centros
Integrados de Apoio à Criança (CIACs). No ano seguinte este programa
interrompeu-se. Porém, foi relançado, em 1993, com o nome de Programa
Nacional de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente - PRONAICA -
, praticamente com os mesmos objetivos do anterior adotando, para a
sua operacionalização, além da utilização dos CIACs, agora CAICs ( Centros
de Atenção Integral à criança), a adequação de espaços físicos pré-existentes
e a articulação e integração de serviços setoriais voltados para a criança.
Os compromissos assumidos pelo Brasil na Conferência
de Jomtien estão relatados no documento denominado "Plano Decenal
de Educação para Todos", cuja meta principal é assegurar, até o
ano 2.000, às crianças, jovens e adultos, os conteúdos mínimos em matéria
de aprendizagem que respondam às necessidades elementares da vida contemporânea
(universalização da educação fundamental e erradicação do analfabetismo).
Em 1994 o governo criou o Sistema Nacional de Educação à Distância (SINEAD),
que tem como objetivo estimular iniciativas de educação aberta, continuada
e à distância facilitando o acesso, de todo cidadão, ao conhecimento
social e científico disponível na sociedade brasileira.
A Fundação de Assistência ao Estudante (FAE), vinculada
ao Ministério da Educação e do Desporto (MEC), foi criada em 1983 para
atender alunos da pré-escola e do ensino fundamental, matriculados nas
escolas públicas e filantrópicas do país. Através da execução dos
mais importantes programas sociais do governo, atinge uma população
de mais de 30 milhões de crianças matriculadas em cerca de 200 mil escolas
do território nacional. Estes programas são: Programa Nacional de Alimentação
Escolar (PNAE)/Programa Nacional do Livro Didático (PNLD)/Programa Nacional
Salas de Leitura(PNSL)/Programa Nacional de Material Escolar (PNME)/Programa
Editorial/ Programa Nacional Biblioteca do Professor(PNBP).
Educação Básica de Jovens e Adultos
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) volta a ser discutida
e a fazer parte dos compromissos públicos a serem assumidos pelo Governo
e pela Sociedade Civil, tendo em vista a superação do analfabetismo
e o aumento do nível médio de escolarização deste grupo. A Constituição
Federal de 1988 legitimou o direito ao ensino básico na escola pública
também para os jovens e adultos. Segundo o IBGE, quase 80% da população
brasileira com mais de 15 anos, não conseguiu completar o ensino de
1º grau.
Ensino Médio (2º Grau)
O ensino de 2º grau, embora tenha expandido nos últimos
20 anos e tornado-se majoritariamente público, ainda não conseguiu absorver
85% dos 14,5 milhões de jovens com idade entre 15 e 18 anos. De um modo
geral, o ensino médio continua sendo apenas um corredor de acesso aos
estudos universitários, apesar de ter, por lei, duas funções: a de formação
geral e a formação técnico-profissional. Em 1994 o MEC estabeleceu o
Sistema Nacional de Educação Tecnológica, que objetiva o aprimoramento
do ensino, da extensão e da pesquisa tecnológica, além de sua integração
com os diversos setores da sociedade e do setor produtivo.
As Escolas Técnicas Federais que, anteriormente, só
ministravam cursos em nível de 2º grau, estão sendo transformadas em
Centros Federais de Educação Tecnológica (CEFETs), aumentando seu raio
de ação e oferecendo, também, cursos com nível equivalente ao universitário.
Um outro passo foi dado, em junho de 1995, para a expansão do ensino
técnico no Brasil, graças à parceria entre Governo, iniciativa privada
e ONG: o lançamento do programa Telecurso 2.000, que levará ensino profissionalizante
à distância para a rede oficial de escolas técnicas do país oferecendo,
inicialmente, cursos na área de mecânica. Os cursos de nível técnico
do SENAC (Serviço Nacional do Comércio) e SENAI (Serviço Nacional da
Indústria), atingem cerca de 2,5 milhões de alunos. Nas escolas que
integram estes sistemas são ministradas aulas que incluem aprendizagem,
habilitação, qualificação e treinamento para atividades comerciais ou
industriais. A avaliação do ensino médio tem sido feita, na prática,
pelos resultados do concurso vestibular (prova para o ingresso nas universidades)
e pelas empresas que absorvem aqueles que optaram pelo ingresso imediato
no mercado de trabalho.
Ensino Superior
Graduação
De acordo com a constituição Brasileira cabe, preferencialmente,
à União, organizar e oferecer o ensino superior e gratuito. No entanto,
estudos realizados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA),
demonstram que as instituições federais atendem a uma clientela de estudantes
que pertencem a classes sociais mais favorecidas, com mais condições
de financiar seus estudos. Mesmo assim, a taxa de evasão nestas instituições
foi de 56% em 94. Em 1994 foram matriculados, nos 851 estabelecimentos
de ensino superior das redes federal (57 instituições), estadual (73),
municipal(88) e particular(633), o total de 1,66 milhões de alunos em
cursos de graduação, distribuídos da seguinte maneira: 58,4% na rede
particular, 21,9% na federal,14% na estadual e 5,7% na municipal.
Para atender aos estudantes que têm dificuldades de
arcar com as despesas educacionais, foi implantado em 1976, e transformado
em Lei em 1992, o Programa de Crédito Educativo, sistema que permite
aos estudantes dos cursos universitários de graduação, com bom desempenho
acadêmico e recursos próprios ou familiares insuficientes, financiarem
seus encargos educacionais. O bolsista tem um ano de carência para iniciar
o reembolso a partir da conclusão do curso. A amortização terá duração
igual ao período de utilização. Até o ano de 1993, 790 mil estudantes
tinham sido atendidos pelo Programa.
Pós-Graduação
O desenvolvimento dos cursos de pós-graduação no Brasil
foi implementado a partir dos anos 60, principalmente no que se refere
aos sistemas de estímulos e controle, com destaque para o de bolsas
de estudo. Em 1970 foi criado o Programa Intensivo de Pós-Graduação,
visando incrementar o aperfeiçoamento pós-graduado mediante cursos e
estágios no país e no exterior. No Brasil o incentivo é dado para a
realização de cursos de mestrado e doutorado com conceituação excelente
por parte dos órgãos responsáveis por esta avaliação. Dos 54 mil alunos
em 1991, 41 mil cursavam mestrado e, 13 mil, doutorado. Do total, 24
mil possuiam bolsas concedidas por uma das duas agências oficiais financiadoras
de estudos de pós-graduação: a Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal
de Nível Superior (CAPES) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico
e Tecnológico (CNPq). A expansão do ensino público em especial no período
noturno, a autonomia universitária, a avaliação institucional, a valorização
da graduação e da extensão e a revitalização dos cursos de Licenciatura,
são as principais preocupações do atual governo para a construção de
uma política para o ensino superior.
6.1.2. Trabalho
No final da década de 60, sobretudo através de recursos
externos, o Brasil apresentou acentuado crescimento na economia industrial.
Várias foram as dificuldades enfrentadas com a expansão da industrialização,
sendo a falta de mão-de-obra qualificada, o prioritário. O Estado procurou
então, atenuar a dificuldade através da Lei 5.692/71, modificada pela
7.044/82, que se refere ao papel da educação na preparação para o trabalho.
Cerca de 1/4 da oferta de formação profissional foi direcionado aos
jovens na faixa etária até 18 anos, que estavam cursando o 1º ou 2º
grau técnico.Um dos maiores problemas sociais, advindo dos anos 80,
foi o desemprego.
Com a retração da economia mundial, os saldos do comércio
exterior e os recursos captados pelo Brasil foram direcionados para
o pagamento dos juros da dívida externa. O baixo investimento em áreas
prioritárias resultou, no final de década de 80,em cerca de 2 milhões
a menos de oportundidades de emprego. Na década de 90, surgiram programas
como SEGURO DESEMPREGO E ABONO SALARIAL, que oferecem assistência temporária
ao trabalhador desempregado, e SINE ( Sistema Nacional de Emprego )
que, apesar de ter sido criado em 1975, foi reformulado e atua como
intermediário no acesso ao mercado de trabalho. Recentemente, este ampliou
suas atribuições ao cadastramento de estudantes universitários e de
nível técnico para realizarem programas de estágio.
A legislação brasileira no âmbito de educação e trabalho
disciplinam, desde 1977, programas de estágio de adaptação técnico-profissional
para estudantes de 2º e 3º graus. O estágio possibilita ao jovem, aprendizagem
social, profissional e cultural, bem como a concessão de auxílio financeiro
através de bolsas. Outro programa, criado em 1991, para apoio na formação
de mão-de-obra dirigido aos jovens é o PLANTE (Programa Nacional de
Educação e Trabalho). Ele é destinado, prioritariamente aos jovens carentes
na faixa etária de 12 a 21 anos, procurando fomentar a participação
dos pequenos produtores urbanos e rurais no processo de desenvolvimento
econômico, através da capacitação para o trabalho. Para os adolescentes
de 12 a 18 anos, que estejam frequentando o ensino regular ou supletivo
de 1º e 2º graus, o Programa Bom Menino desde 1987 estimula a inserção
no mercado de trabalho, através da prestação de serviços em empresas
públicas e privadas, a título de bolsa de iniciação ao trabalho.
A realidade brasileira aponta que os municípios distantes
dos grandes centros urbanos não dispõem de recursos para contratar profissionais
qualificados para suprir a demanda de atendimento. Através do programa
PRO-LABOR, criado em 1993, que tem como objetivo interiorizar profissionais
recém-formados, cerca de 799 jovens já estão empregados aprimorando
seus conhecimentos técnicos profissionais e auxiliado na melhoria do
atendimento aos municípios mais carentes. Destaca-se também o Programa
de Geração de Emprego e Renda Rural - PROGER RURAL - visando aumento
e melhoria da produtividade rural, bem como maior absorção de
mão -de- obra com vistas à fixação do homem ao campo.Com recursos do
Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), caberá às comissões de emprego
estaduais o acompanhamento e avaliação deste programa.
Ainda com recursos do FAT e instituições em parceria
com o Ministério do Trabalho, desde 1993, o Programa de Reciclagem Profissional,inserido
no SINE, procura proporcionar ao trabalhador desempregado, a aquisição
de conhecimentos básicos e específicos para facilitar o seu processo
de reinserção no mercado de trabalho. Em 1995 o Ministério da Ciência
e Tecnologia, a Financiadora de Estudos e Projetos - FINEP - lançaram
o Programa de Educação para a Competividade (PROEDUC), que contribuirá
para o desenvolvimento do trabalhador, através, de financiamento de
programas educacionais .Empresas, cooperativas, associações de classe
e instituições educacionais poderão ser beneficiadas com projetos na
área de educação formal, enriquecimento curricular e desenvolvimento
de materiais didáticos.
