POLÍTICAS DE JUVENTUDE. ESTADO DO
ARTE
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III. ASPECTOS SÓCIO- ECONÔMICOS
E DEMOGRÁFICOS
3.1. Breve Retrospecto Econômico
Ao se abordar os aspectos sócio-econômicos recentes é
conveniente fazer-se um retrospecto das conjunturas econômicas
de pelo menos, uma década, a fim de compreender melhor as origens
das crises por que passou o país. A política expansionista
de 79/80, de crescer a economia a elevadas taxas e de financiar o déficit
em conta-corrente através de empréstimos externos, principalmente
após o segundo choque do petróleo (1979), tornou o país
vulnerável aos ajustes e choques externos. As contas externas
brasileiras deterioraram-se principalmente em função da
alta das taxas de juros internacionais e da queda do volume do comércio
mundial.
As origens da crise atual situam-se portanto, no setor externo quanto
à transferência de recursos reais e internamente pelo aumento
de empréstimos tomados ao setor privado para cobrir déficits
públicos crônicos. Com isso, os investimentos declinaram,
e se implantou a recessão e o desemprego prolongados, acompanhada
de altas taxas inflacionárias, instalando-se a denominada - estagflação.
Incapazes de produzir superávits, os governos, ao contrário,
aumentaram seus déficits, pois haviam-se comprometido na década
de 70 - durante o "milagre brasileiro"- com o gerenciamento
global da economia às custas do maior endividamento externo e
interno, e ampla estatização.
As consequências foram a redução do PIB per capita
(Graf.3.1.1)e dos investimentos (Graf. 3.1.2 e 3.1.3), principalmente
a partir da segunda metade da década de 80, agravando ainda mais
a recessão. A Formação Bruta de Capital Fixo (investimentos
em máquinas e equipamentos) caiu de 23,3% do PIB na década
de 70 para menos de 15% na primeira metade dos Anos 90. Outra consequência
nefasta foi a queda do consumo percapita (Graf.3.1.4), que retornou
em 1992 aos níveis de 1978, tanto em decorrência da queda
do produto como pela transferência de recursos para o exterior.
A inflação anual superou os 2500% (1993) contrastando
com os 40% médios dos anos 70. Com a queda do PIB e a aceleração
inflacionária, os rendimentos dos trabalhadores assalariados
reduziram-se. Em 1992, o salário mínimo correspondia a
menos de 50% do vigente no início dos anos 80 e a partir de maio/95,
se lhe igualou.(Gráf.3.1.5)
3.1.1. Atividades econômicas - Anos 90
A década atual foi iniciada com uma queda do nível da
atividade econômica: PIBs negativos de 4,3% em 1990 e 1992 relação
a 1989. Nesse período, ocorreram ciclos curtos de crescimento,
mas os altos índices inflacionários não permitiram
a sua retomada. Os planos econômicos, baseados em políticas
monetárias contracionistas, voltavam a provocar recessão.
Após o "impeachment" de Collor (out/92), a economia
iniciou nova ascensão. Em 1993, o PIB cresceu 4,5% e em 1994,
5,5%.Para 1995, estima-se um PIB maior em 5% a 6%. A implantação
do Plano Real, em julho de 1994, propiciou a elevação
do poder aquisitivo, via estabilização de preços
e fêz com que houvesse forte elevação do consumo
interno, reforçado ainda pela queda das taxas de importação,
acarretando um aumento substancial das compras no exterior e nova moeda
sobrevalorizada. Consequentemente as reservas de divisas declinaram
de US$ 40,1 bilhões - (jul/94) para US$ 31,6 bilhões (mai/95),
diminuição agravada ,também, pelas crises mexicana
e argentina. O Plano não está consolidado e necessita,
para melhor gestão, de reformas profundas no sistema tributário
e da previdência bem como prosseguir na privatização,
eliminando de fato o déficit público, nas três esferas
- Federal, Estadual e Municipal. Por outro lado, a reforma do Estado
com a quebra dos monopólios, já iniciada, deverá
continuar. Não é uma tarefa fácil, nem de curto
prazo.
3.1.2. Empregos e salários
As decisões de empregar e investir têm efeitos de médio
a longo prazos. Os planos econômicos instituídos (8 desde
1986) visaram sempre a estabilização monetária
devido as altas taxas inflacionárias. Desde a primeira metade
da década de 80, o país não mais se norteou por
planos econômicos de longo prazo. A cada ciclo inflacionário,
os agentes econômicos optavam por aplicar recursos no mercado
financeiro a investir na produção, o que proporcionaria
a criação de novos empregos. Assim, por muito tempo tem-se
convivido com elevadas taxas de desemprego e inflação,
o que gerou severa retração salarial. No período
1990/93 observou-se forte queda no salário médio real,
a partir do Plano Collor I, que pretendeu instituir a livre negociação
salarial, ignorando-se qualquer perda salarial anterior. Entretanto,
com o recrudescimento da inflação(que passou aceleradamente
a 25% ao mês), o governo reconheceu a impossibilidade da pretensão
e estabeleceu políticas de reposições mínimas
da inflação aos salários.
De 1990 a 1992 o nível de emprego sofreu queda sem precedentes.
A taxa média de desemprego saltou de 8,8% em 1989 para 17,1%,
em fins de 1992. O salário mínimo correspondia em 1992
a menos de 50%, em termos reais, do vigente no início da década
de 80. Entre 1990 e 1992, somente a indústria de São Paulo
eliminou 450 mil empregos. Nesse período a indústria brasileira
empregou menos 27% do que em 1989. (Graf. 3.1.6). Com a economia amplamente
indexada - 20 índices diferentes -, a interrupção
da cultura inflacionária de 30 anos é uma tarefa que exige
persistência, denôdo e vigilância. O Governo prepara-se
para, a partir de julho, proceder ampla desindexação da
economia. Tarefa complexa pois afetará salários, aposentadorias
e pensões, contratos em curso, ativos financeiros, mensalidades
escolares, alugueis, etc. Já se prenunciam dificuldades com os
sindicatos, pois a proposta do governo é da livre negociação
entre patrões e empregados com arbitragem, em caso de impasse,
pela Justiça do Trabalho.
3.1.3. Distribuição de renda e avaliação
social
Apenas o crescimento da renda per capita, por si só, não
é suficiente para se analisar o bem-estar de uma comunidade.
É necessário verificar como está distribuída
a riqueza e condições de vida (qualidade) da comunidade.
Neste aspecto, também, o Brasil possui uma das distribuições
de renda mais injustas. A concentração de renda, medida
pelo índice de GINI, demonstra a sua gravidade não apenas
pela influência do desemprego nas camadas menos qualificadas,
mas, principalmente, pelo efeito da inflação, que afeta
os assalariados em primeiro lugar e àqueles da base da pirâmide
salarial, por terem menor poder de barganha (Graf. 3.1.7). O último
estudo (1990) do IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística,
órgão oficial encarregado das Contas Nacionais e análises
estatísticas macroeconômicas, ressalta que cerca de 3%
da população economicamente e ativa (PEA) detem 49% da
Renda Nacional.
Na educação e saúde públicas está
esgotada a capacidade de financiamento do Estado. O sucateamento de
hospitais e outras instituições de saúde, bem como
aumento de endemias rurais, são algumas das consequências
das restrições orçamentárias do governo.
A má distribuição de recursos na educação,
baixa qualidade do ensino básico, face aos parcos recursos, salários
irrisórios e rendimento baixo dos docentes com o simultâneo
aumento da evasão e repetência escolares, empurrando os
jovens para um mercado de trabalho cada vez mais exigente faz com que
a formulação e implantação de uma política
para a juventude seja primordial para o futuro do Brasil.
3.1.4. Pirâmide da desigualdade
O retrato da sociedade brasileira pode ser analisado no quadro abaixo
elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
- IBGE, com dados do Censo de 1991. O quadro por si só é
elucidativo.
PARTE II
IV. DAS POLÍTICAS SOCIAIS
4.1. Resumo histórico
As políticas destinadas ao atendimento das necessidades básicas
principalmente da população mais pobre, agrupadas sob
o rótulo de políticas sociais não chegaram a ocupar,
ao longo da história, papel de destaque nos planos de governo
e nas dotações orçamentárias, quadro também
que se faz presente na década de 80. Um breve resumo histórico
da evolução do tema, facilitará o entendimento
das enormes deficiências observadas no ínicio dos anos
90.
a - nos primeiros anos da história do País, foram os
jesuitas que tomaram para si o papel da ação social, através
das catequeses;
b - os internatos para os "filhos de ninguem" (colonizadores
com indios e colonizadores com os negros), garantiram a ação
da igreja na proteção da infância e adolescencia
desprotegida;
c - somente na década de 40 é, que o Estado, entende que
deveria assumir a questão do "menor" e cria o Serviço
de Assistência ao Menor - SAM, anos mais tarde considerada pela
imprensa, como uma "escola do crime". Embora muito questionada
permanece com sua atuação durante longos anos.
d - o regime militar instaurado em 1964 é que vai intervir nessa
realidade com a intenção de revertê-la de forma
radical, criando através de Lei, as diretrizes e bases para uma
Política Nacional de Bem-Estar do Menor. Cria a Fundação
Nacional do Bem-Estar do Menor - FUNABEM.
O enfoque correcional-repressivo, é substituído pelo
enfoque assistencialista, porém herdando, além dos espaços
fisícos e equipamentos os recursos humanos não habilitados
do SAM.
e - a Constituição de 1988 busca o resgate da cidadania
e troca o Código do Menor pelo Estatuto dos Direitos da Criança
e do
Adolescente.
Ainda assim as políticas sociais ficam caracterizadas mais pela
manutenção e garantia do controle social do que uma busca
efetiva e plena do desenvolvimento social. Abre-se então o espaço
para a sociedade civil, através das Organizações
Não Governamentais atuarem nos espaços vazios do Estado.
