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Fecha de actualización:
10/11/2008

 

 
 

POLÍTICAS DE JUVENTUD EN AMÉRICA LATINA:

EVALUACIÓN Y DISEÑO

 

JUVENTUDE BRASILEIRA

Um Estudo Preliminar

 

 

 Índice

 

Parte I

I. Juventude - expansão, crise ou desafios

Os direitos sociais: da cidadania

A juventude e a realidade dentro do contexto brasileiro

Evolução histórica dos Direitos da Juventude

O Conceito de Juventude e quadro demográfico da população jovem

 

Parte II

II. Juventude e educação

 

III. Saúde e juventude

 

IV. Juventude e emprego

 

V. Cultura, esporte e juventude

Cultura

Arte nas ruas

Cultura cara

 

VI. Esporte

 

Parte III

VII. Juventude e democracia

 A luta pela democracia

Jovens ausentes

 

Parte IV

VIII. Juventude urbana - marginalizados e em traformação

 

IX. Juventude universitária

  

Bibliografía consultada

   

A luta pela democracia

A trajetória de luta pela construção da democracia e da justiça social no Brasil, nos tempos atuais, começou a ser encampada pelo jovem brasileiro em 1937. Até então sua presença só se fazia notar por ocasião de movimentos específicos, como a libertação dos escravo e a campanha antimonarquista. Em 1938, porém,ao ser convocada para o II Congresso Nacional dos Estudantes, a juventude já demonstrava sua preocupação com problemas tais como a mulher na sociedade, o analfabetismo e o ensino rural e universitário.

Ao longo dos anos eles se fizeram presente na luta contra o fascismo e o governo ditatorial de Getúlio Vargas; iniciaram uma série de campanhas em defesa do patrimônio territorial e econômico do país, exigiram mudanças no sistema educacional capaz de tirar o Brasil do analfabetismo; rebelaram-se contra a universidade que lhes parecia um instrumento das elites, cujo objetivo principal era manutenção da ordem social então existente. Num de seus momentos mais importantes uniram-se aos intelectuais, apoiando a criação do Centro Popular de Cultura, visando a encontrar novos públicos e novas linguagens para um tipo de arte capaz de alertar o povo para seus direitos.("A UNE, do Estado Novo aos caras-pintadas" - sem identificação do autor - Revista UNE - O reencontro do Brasil com a sua Juventude, edição do Ministério da Educação e do Desporto - dezembro de 1994). Se a tendência a contestação, uma característica da juventude fez com que os jovens fossem sempre muito importantes na construção da democracia, no Brasil, foi na década de 60, através das entidades estudantis, lideradas pela União Nacional dos Estudantes - Une -, que eles tiveram sua atuação mais marcante.

Dotados do espírito crítico que resulta do conhecimento, lutavam por uma universidade que atendesse às ansiedades da maioria, clamando por reformas que tornasse o ensino adequado às necessidades e à realidade do País. "Num país que tem o intestino à mostra como o Brasil, num país com um drama social tão profundo, é muito importante que a juventude tenha uma atitude política de indignação. (...) ... jovem brasileiro tem que ficar indignado: tanta criança com fome, tanto jovem lançado na miséria, tanta pobreza desnecessária; é inexplicável como o Brasil consegue fazer tanta gente com fome tendo tanto recurso para produzir.(sic) (Aos trancos e barrancos - como o Brasil deu no que deu - Darcy Ribeiro, antropólogo, escritor e senador da República - Editora Guanabara - 1989). A juventude pedia a construção de habitações populares e exigia a democratização do poder público. Por ocasião da renúncia do presidente Jânio Quadros, quando aconteceu a tentativa de impedir a posse do vice-presidente João Goulart, mobilizou-se através de seus órgãos de classe, convocando greves nacionais e enfrentando nas ruas a polícia fortemente armada, gerando um grande impacto junto à sociedade. ("Os estudantes brasileiros sempre fizeram História" - Aldo Arantes, deputado federal, em depoimento a revista UNE O reencontro do Brasil com a sua juventude - Ministério da Educação e do Desporto - dezembro de 1994).

Entre os anos de 60 e 64 eclodiu na Faculdade Nacional de Filosofia (FNFi), Rio de Janeiro, um grande movimento político e cultural. Seus alunos não ficavam ilhados nas salas de aulas, mas estabeleceram um intercâmbio de idéias, o que lhes permitiu descobrir que os problemas não eram prerrogativa do curso de cada um, mas do ensino no Brasil, como um todo. Organizados, passaram a pleitear o fim de uma estrutura burocrática incompetente que controlava a máquina administrativa em todo o país, permitindo a existência de um corpo docente medíocre e incompetente, com raras e honrosas exceções. Graças a um longo e paciente trabalho, o grupo mais consciente foi eleito para a chefia do Diretório Acadêmico, passando a apoiar qualquer movimento que visasse a melhoria do ensino. Criaram, inclusive, os cursos pré-vestibulares que preparavam outros jovens à ingressar nas Universidades. A Faculdade, além de dar aulas formais, passou a oferecer cursos extra curriculares, seminários, sessões de teatro e de cinema de arte e ciclos de estudos de política internacional. A novidade espalhou-se e passou a ser copiada em outros centros de estudo, em maior ou menor escala, em todo o país.

É claro, porém, que nem sempre os jovens conseguem pensar e agir com equilíbrio. E se ali eles deram demonstrações incontestes de dignidade social, também se envolveram em imaturidade política e ingenuidade analítica. Rapidamente a FNFi tornou-se a faculdade de maior porcentagem de socialistas na América Latina, onde jovens na quadra dos 20 anos falavam em Marx e Engels com a maior superficialidade. Superestimando-se, por volta de 1963, a maioria de seus alunos pregava a necessidade de derrubar tudo - inclusive a faculdade, que considerava morta - fazer a revolução, para tudo recomeçar. Assim, esgotaram forças em lutas secundárias, passando a ser alvo de provocações por parte de um pequeno grupo de fascistas, muitos dos quais, no futuro, viriam a se tornar policiais.

Tudo isto fez com que, a partir de 31 de março de 1964, com a destituição de um governo legalmente eleito, os jovens estudantes passassem a ser vistos como subversivos e elementos altamente perigosos. A invasão pelos soldados da Polícia Militar de Minas Gerais ao campus da Universidade de Brasília - na época, a única no país a ter uma estrutura realmente moderna - é um bom símbolo do quanto os generais temiam aqueles jovens que se haviam ligado a intelectuais e a líderes sindicais. A Universidade foi fechada, seus diretores destituídos, os professores e alunos presos, os livros de sua biblioteca queimados. A Universidade que era o símbolo da luta de toda a sociedade consciente para superar o atraso cultural e o subdesenvolvimento do país, havia sido estruturada nos moldes mais atualizados na época, foi praticamente destruída. Ao ser reaberta, seguindo determinações do governo, era mais uma universidade ultrapassada. (O Poder Jovem / História da participação política dos estudantes brasileiros - Artur José Poerner - Editora Civilização Brasileira - 1979)

O golpe de 1964 levou as mais importantes lideranças jovens à clandestinidade. "... Todo o corpo discente das Universidades passou por um crivo. O fato de ter pertencido a certas associações bastava para suspender grande número de estudantes, por seis meses ou por um ano, prejudicando-os materialmente: a muitos tornou-se impossível a continuação dos estudos. Mas, quem se tinha pronunciado contra a brutalidade das botas ou contra a estupidez dos que engraxavam as botas, teve destino pior: foram expulsos da faculdade, com proibição de matricular-se em qualquer outra. (...) Quer-se impedir que os estudantes hoje e os intelectuais amanhã assumam seu papel natural de líderes do povo..." (sic) (O Brasil no espelho do mundo - Otto Maria Carpeaux - Editora Civilização Brasileira - 1965)

Apesar de toda a repressão, a juventude do Brasil diminuiu mas nunca cessou sua luta pela volta à democracia. Em 1966, partindo da condenação ao governo tolitário passaram a denunciar seu conteúdo anti-nacional. Quando o governo determinou o pagamento de uma pequena anuidade (28 mil cruzeiros antigos) nas universidades públicas, o Diretório Central dos Estudantes da Universidade do Brasil recomendou o não pagamento, vendo no fato o símbolo da obediência à recomendação dos Estados Unidos de que se privatizasse o ensino, transformando as instituições públicas em fundações. Uma passeata em Belo Horizonte, aplaudida pela população que jogava papel picado das janelas enquanto os jovens cantavam o hino nacional foi violentamente dissolvida pela polícia. No entanto, serviu para reavivar a chama do movimento pela volta à democracia, em todo o país. Espocavam as greves de protesto, realizavam-se congressos da União Nacional dos Estudantes - UNE apesar das proibições e rígidas normas decretadas pelo governo. De tal forma oprimido, o movimento estudantil terminou por diminuir, até 1968.

Uma invasão de policiais, às dependências de um restaurante criado para estudantes sem recursos - O Calabouço - resultou, no dia 28 de março, na morte de um estudante sem qualquer atuação política, Edson Luis de Lima Souto, de apenas 18 anos e recém chegado ao Rio de Janeiro. O fato revoltou não apenas a juventude, mas a população que se uniu a eles despertando a oposição que parecia adormecida. O enterro do rapaz transformou-se numa imensa manifestação popular, reunindo milhares de pessoas em reações sempre pacíficas. Entre essas, a chamada "Passeata dos Cem Mil", no dia 26 de junho, no Rio de Janeiro, quando se teve a impressão de que se avizinhava um período de abertura democrática. No entanto, o governo não demorou a dar a resposta, através do Ato Institucional nº 5 - o AI 5, que, entre outras medidas, fechou o Congresso Nacional, Assembléias Legislativas dos estados e Câmaras de Vereadores dos Municípios, voltava a suspender os direitos políticos e inúmeras outras garantias constitucionais.

Com o AI 5 a oposição arrefeceu-se decisivamente. Não que o jovem tivesse cessado sua opção pela democracia, mas porque parecia que, afinal, a ditadura havia conseguido impor seu modelo de universidade e de universitários. (O Poder Jovem / História da participação política dos estudantes brasileiros - Artur José Poerner - Editora Civilização Brasileira - 1979). Contudo, mesmo enfrentando prisões, torturas, e o exílio os jovens continuaram a luta. Denunciando a situação brasileira à imprensa internacional e a órgãos ligados à defesa dos direitos humanos ou fazendo manifestações públicas de protesto, mantiveram a resistência à ditadura dos militares, reivindicando de todas as formas que lhes era possível o retorno das liberdades democráticas.

Dentro desse quadro, durante anos foram discretos os movimentos da juventude. Mas a tradição de luta contra o que considera injusto permanecia viva, explodindo em 1992, quando voltou às ruas para lutar contra a corrupção descoberta graças a CPI do Orçamento no Congresso Nacional. Assumindo uma posição decisiva diante da opinião pública, pressionam de tal forma os parlamentares que se tornou impossível sufocar a revolta e evitar as medidas que iriam resultar no impeachment do presidente Fernando Collor ("A UNE, do Estado Novo aos caras-pintadas" - sem identificação do autor - UNE O reencontro do Brasil com a sua juventude - Edição do Ministério da Educação e do Desporto - dezembro de 1994).

 

 Jovens ausentes

 (Índice)  (Juventude - expansão, crise ou desafios)  (A   juventude e a realidade dentro do contexto brasileiro)  (Evolução histórica dos Direitos da Juventude)  (O Conceito de Juventude e quadro demográfico da população jovem)  (Juventude e educação)  (Saúde e juventude)  (Juventude e emprego)  (Cultura, esporte e juventude)  (Arte nas ruas)  (Cultura cara)  (Esporte)   (Juventude e democracia)  (A luta pela democracia)  (Jovens ausentes)  (Juventude urbana - marginalizados e em traformação)   (Juventude universitária)  (Bibliografia consultada)

 

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