6. ESPORTE
"Na Grécia antiga, acreditava-se que, por meio de competições
freqüentes, era possível estimular não só a habilidade e a arte dos participantes,
como também o interesse e o gosto do público. Quase todas as manifestações artísticas
(...) eram objeto de competições e, muitas vezes, estas coincidiam com as competições
atléticas, nos Jogos Pan-helênicos, de intensa mobilização de todas as
comunidades".(sic) (Maria Luíza Condé, professora, Programa de Atividades Culturais
do Mobral, Rio de Janeiro, 1973). Pode-se afirmar que foi nos anos 40, graças ao general
Jair Jordão Ramos, que a educação física chegou no Brasil, influênciada pelas escolas
francesa e sueca, que davam predominância, respectivamente, aos aspectos ligados à
educacão, no sentido humanista, e à saúde. Até então predominava a escola alemã,
nitidamente militarista. Foi então que a prática desportiva ficou sistematizada nas
escolas, aparecendo e destacando-se a Escola de Educação Física do Exército, no Rio de
Janeiro, a Escola Nacional, em Porto Alegre e em Belo Horizonte. Com o nascimento de um
movimento pedagógico que envolveu toda a educação ( Educação permanente) tendo a
aptidão física como um dos seus componentes, aí incluindo valores morais e sociais e
graças a divulgação e ao marketing a prática dos exercícios físicos disseminou-se,
surgindo as ruas de lazer e as colônias de férias. As associações de bairro passaram a
solicitar áreas onde as pessoas - crianças e adultos - pudessem mexer o corpo, numa
atividade democratizante, uma forma de interação, sem maiores discriminações.
(Declarações de Manoel José Turbino, mestre em Educação Física pela Universidade
Federal do Rio de janeiro - Perspectiva Universitária - nº 161, junho de 1992).
6.1. Patrocinando o esporte
A falta de apoio financeiro ao atleta tem sido o grande impecilho para
que haja uma massificação da prática do esporte entre os jovens do país, que,
precisando treinar, estudar e trabalhar ao mesmo tempo, acabam considerando os treinos um
tempo perdido na sua vida. Na verdade sabe-se que excelentes atletas brasileiros vivem uma
situação financeira difícil. Os jovens desportistas não contam como uma situação
como a de Juan Torena, 27 anos, estudante de economia em Harvard, casado, pai de três
filhos, que recebia do Estado todas as condições básicas para sustentar a família com
tranqüilidade, podendo estudar e dedicar-se ao esporte, o que o levou a ser um expoente
do atletismo, ao final da década de 70. Embora o brasileiro seja dotado de qualidades
atléticas excepcionais, o nível dos professores de educação física, nem sempre os
capacita a preparar de forma eficiente os esportistas. (Declarações de Carlos Alberto
Lancetta, professor de educação física da Universidade Gama Filho - "O importante
é competir. E vencer" - Ruy Nogueira - Perspectiva Universitária - nº 156 -
outubro de 1981). O jovem brasileiro foi impulsionado à prática esportiva por algumas
universidades, conscientes da importância de uma educação física que integrasse corpo
e mente e que não trabalhasse apenas os músculos. Uma prática com o sentido de educar a
personalidade e a forma de conduta no convívio com a sociedade. ("Cuca" e
físico na formação da personalidade" - Rui Nogueira - Perspectiva Universitária -
nº 161, junho de 1992). O grande problema do esporte brasileiro prende-se a carência de
recursos financeiros e técnicos e no sistema de governo que endeusa certas modalidades em
detrimento de outras. Maiores recursos financeiros permitiriam um melhor trabalho
técnico, com o atleta treinando com boa orientação. Agora, todo mundo está se voltando
para o apoio da iniciativa privada, que pode ser fundamental para a emancipação do
esporte nacional.("Atletismo / O Mérito de cada um" - Ulisses Laurindo, atleta
e jornalista - Perspectiva Universitária - nº 148, setembro de 1980)
Ao chegar ao seu 186º aniversário o Banco do Brasil, através de uma
pesquisa, concluiu que era preciso rejuvenescer sua imagem. Também identificou o esporte
como a atividade que mais interessava ao jovem brasileiro. Assim, passou a patrocinar
coletivamente as seleções brasileiras de vôlei (masculina e feminina), juvenil e
infanto-juvenil; e as equipes de judô e tênis de mesa. Também apoia, individualmente,
atletas ligados ao tênis, judô e atletismo. Patrocina, ainda, o vôlei de praia. A
Brahma empresta seu nome ao Campeonato Sul Americano de seleções de vôleibol, o
campeonato latino-americano de super cross, o brasileiro de canoagem, o circuito Limão
Brahma de Surf e o Circuito Brahma de Vaquejadas. O patrocínio a Ayrton Senna, na
Fórmula l, rendeu ao Banco Nacional o prêmio Destaque de Marketing, em 1993.
A ginasta Luíza Parente foi participar dos jogos universitários dos
Estados Unidos graças ao patrocínio da Companhia de Turismo First Class. ("Sem
patrocinador é mais difícil surgirem campeões" - Perspectiva Universitária - nº
286 - Julho de 1993). A prática do esporte tornou-se um hábito para o brasileiro e,
atualmente, é rara a pessoa que não faz uma caminhada, que não joga um volei. Amplia-se
a prática do esporte e também as modalidades praticadas. ("Uma opção para a
comunidade" - Informativo do Instituto da Juventude, nº 29, Julho de 1994). O
esporte está sendo usado nas comunidades mais carentes como uma forma de afastar os
jovens de práticas sociais nocivas. É importante na formação do caráter e na
personalidade do cidadão e sua prática não deve se tornar uma competição feroz, mas
gerar a integração e a harmonia entre as pessoas (Ricardo Barros, 32 anos, professor de
educação física, "expert" em projetos esportivos em comunidades carentes). Em
Arraial do Cabo (RJ), a prefeitura está desenvolvendo um projeto que visa a ocupar o
tempo ocioso dos jovens carentes com a prática de diversas modalidades esportivas,
aproveitando o fascínio que o esporte exerce sobre a juventude. (Fascínio do esporte
ajuda a iniciação profissional) - Informativo do Instituto da Juventude - nº 29, julho
de 1994
A importância que o jovem passou a dar ao esporte - dentro do novo
conceito que abrange as práticas formais e não formais - fez com que surgissem as
equipes e com que os educadores o incluíssem nos programas escolares. Hoje, o esporte
está presente em qualquer conversa, ajuda a vender produtos, principalmente aqueles
ligados à saúde, cria mitos e formas de comunicação. Até as expressões esportivas
foram incorporadas à nossa linguagem diária. A cada quatro anos as Olimpíadas criam
novos mitos e levam um maior número de jovens à práticas esportivas. De tal forma que
as vitórias internacionais de nossos atletas estão sendo democraticamente divididas
entre nós, que, ao conseguirmos o 1º lugar nas últimas Olimpíadas e na Liga Mundial de
Vôlei, todo o país vibrou e sentiu-se, também, um pouco campeão. ("Na vitória de
um atleta, a realização de todos nós - Informativo do Instituto da Juventude - nº 19,
agosto de 1993)
Atletas especiais
A prática do esporte pela criança excepcional é um instrumento
importante para sua integração, socializando-a e desenvolvendo sua psicomotricidade. (A
educação física e a criança excepcional - Artur Henrique G. B.. da Cunha, professor de
educação física - Perspectiva Universitária - nº 148, Dezembro de 1980). As disputas
esportivas desenvolvem a auto estima, melhoram a coordenação motora e removem a
socialização do excepcional. ("Olimpíadas para atletas especiais" -
Perspectiva Universitária - nº 298 - julho de 1994). O ideal seria que se desenvolvesse
um programa esportivo que mesclasse crianças deficientes e as "normais",
tornando mais fácil a interação do deficiente físico na sociedade. (Uma seleção
contra o preconceito - Informativo do Instituto da Juventude - nº 29, julho de 1994)
Um projeto desenvolvido no morro de Mangueira (RJ) foi considerado por
Pele, ministro Extraordinário dos Esportes, como o melhor exemplo do trabalho de
promoção social pelo esporte. Ali, na Vila Olímpica, já passaram mais de 20 mil
atletas de seis a 18 anos, sem contar com os "veteranos", com mais idade.
Iniciado em 1987 é desenvolvido por uma equipe multidisciplinar de professores e com o
apoio de diversas empresa e de personalidades no mundo da musica, já está recebendo
jovens de outros morros cariocas. Conta com dois campos de futebol soçaite, piscina
semi-olímpica, ginásio, quadra de esportes e um Ciep. Ali, as crianças além do
esporte, recebem educação formal, têm assistência médica, ondontológica e
psicológica e fazem cursos profissionalizantes, contando até com um ateliê aonde são
confeccionadas as fantasias da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira e da Escola
Mirim Mangueira do Amanhã. ("Mangueira, na cadência do esporte" - Jorge Luiz
Rodrigues - O Globo - 8/1/95) .