"No campo da sociologia, cultura é o conjunto de
ferramentas, utensílios, hábitos, instituições, rituais, objetos para vários fins,
sentimentos, atitudes etc., que todos os povos possuem" (sic) (Cultura da qualidade X
Cultura Institucional" - Elaine Lima de Oliveira - Universidade / A busca da
qualidade - janeiro/fevereiro de 1994 - IBRAQS - Instituto Brasileiro da Qualidade em
Serviços). "O desenvolvimento de um povo não se alcança apenas pelo aumento do bem
estar material, mas exige, paralelamente, o aprimoramento dos valores artísticos e
culturais" (sic) (Mário Henrique Simonsens, economista, abertura do Programa de
Atividades Culturais do Mobral - 1973)
O envolvimento do ser humano com a cultura deve estimular sua plena
educação, visando a melhorar-lhe a qualidade de vida, suscitando seus processos
criativos, fazendo emergir vocações. As mais imediatas oportunidades para difundir a
cultura de uma nação está no campo fértil da arte popular - artesanato, bandas de
música, canções e danças folclóricas. Todas estas manifestações devem ser
valorizadas e apoiadas, para que não terminem por afogar-se em meio à cultura de massa,
amplamente disseminada pelos meios de comunicação. Instrumentos poderosos de acesso à
cultura, eles podem, contudo, vir a contribuir para a alienação do indivíduo de sua
própria cidadania, apagando os traços mais legítimos de sua cultura original. (Maria
Luíza Condé - Professora - Programa de Atividades Culturais do Mobral - Rio de Janeiro -
1973)
Como resultado de um movimento que ligou os jovens, através da União
Nacional dos Estudantes, os sindicatos, artistas e intelectuais, surgiu, no final da
década de 50/início de 60 um novo pensamento cultural no Brasil. Deu-se um
aprofundamento de uma arte, brasileira mas universal, cheia de inquietação, buscando
novas formas de expressão. Seu objetivo era um só: estabelecer um diálogo com o povo,
levando-lhe uma arte voltada para as questões sociais, pretendendo a transformação do
país. Artistas e intelectuais já haviam criado o CPC - Centro Popular de Cultura que,
necessitando de uma base já estabelecida, uniu-se a UNE, numa produção cultural das
mais vastas e importantes. Foram lançadas publicações como Violão de rua, que
divulgava nomes do porte de Affonso Romano de Santanna e lançava novos autores. Era
vendido em sindicatos, nas ruas, em locais de aglomeração popular.
"Era uma época em que todo o Brasil vivia um grande momento de
desenvolvimento e euforia. Nascia a Bossa Nova e o parque industrial, o país ganhava
campeonatos mundiais em diversas modalidades, numa ebulição que envolvia, principalmente
a classe média, já que não chegou, realmente, a envolver os operários, ou os
camponêses. Surgiu a poesia concreta, o Teatro de arena." (Carlos Lira, compositor,
declaração recolhida do texto Centro Popular de Cultura - A idéia era construir um
país novo, através da arte - sem identificação do autor- Revista UNE O reencontro do
Brasil com a sua juventude- Edição do Ministério da Educação e do Desporto - dezembro
de 1994).
A ligação entre os jovens e o Centro Popular de Cultura destacou-se
na música, no teatro e na literatura. Misturava-se shows e debates de importantes temas
do país. Promovia-se noites de autógrafo que contavam com a participação, entre
outros, de Vinícius de Morais e Oscar Niemeyer; revelava-se talentos como Edu Lobo e
Nelson Cavaquinho. ( A UNE atraiu o que havia de melhor na cultura brasileira - Chico
Dias, poeta e jornalista - Revista UNE O reencontro do Brasil com a sua juventude -
Edição do Ministério da Educação e do Desporto - dezembro de 1994). O que se
pretendia era levar ao povo uma cultura capaz de transformar, de conscientizar, dando-lhe
uma visão política, através do teatro, do cinema e da música. (Toda a poesia, Ferreira
Gullar, poeta e teatrólogo, Editora Civilização Brasileira, 1980).
"Viajávamos o país inteiro, irradiando cultura. Fazíamos
espetáculos nas praças principais das cidades, ou numa faculdade, apresentando peças de
autores como Oduvaldo Viana Filho, tendo artistas como Grande Otelo, no elenco junto com a
UNE, o CPC irradiou cultura país afora" (Depoimento de Carlos Verezza, ator e
diretor de teatro, cinema e televisão. Publicação UNE O reencontro do Brasil com a sua
juventude - Ministério da Educação e do Desporto - dezembro de 1994).