5.2. Arte nas ruas
O grafismo é uma das mais antigas manifestações gráficas do homem,
valorizado como arte. Na década de 60, com caráter político, foi ressuscitada pelos hippies,
que com eles popularizaram slogans como "paz e amor", "faça amor não
faça a guerra". Na década de 70, a arte - música, teatros, espetáculos cênicos,
dança - deixou os espaços fechados e chegou às ruas das cidades. Nessa onda, o grafismo
e as pichações ganharam as ruas brasileiras, seguindo a moda novaiorquina. Verdadeiras
imagens tatuadas no corpo das cidades, no início eram consideradas manifestações
marginais, mas foram, aos poucos, nutrindo a cultura que os rejeitava. Entre o grafismo e
a pichação existem diferenças essenciais. O primeiro surgiu a partir de grupos ligados
a arte: poetas, estudantes de arquitetura e de desenhos, dos quais a repressão dos anos
70 tirou o canal de expressão. A simples pichação, por sua vez, é um processo
anárquico de criação, onde é mais importante transgredir, do que manifestar um
processo criador. Com uma estética que busca o rabisco, o sujo, agride os padrões da
cultura, transgredindo o estabelecido, o bem feito. Dando preferência aos lugares
sacralizados - igreja, escolas, monumentos públicos -, busca chamar atenção para o
autor e/ou para sua mensagem. Seus autores, geralmente, são jovens da periferia das
grandes cidades. ("Grafite Pichação & Cia." - Celia Maria Antonacci Ramos
- Editora Anablume - São Paulo - 1994)