9. JUVENTUDE UNIVERSITÁRIA
Entre a universidade e a realidade brasileira há muita diferença. É
na escola que os jovem passam a maior parte do do seu tempo, ou deveriam passar. Mas esta
instituição não os atende de forma global, limita-se ao repasse de informação
curricular. A tarefa desta instituição se delimita e se estrutura em concordância da
falta de política de educação e desta com outra políticas. O sistema educacional
brasileiro limita-se a um conteúdo informativo currricular que se distancia do interesse
e da vivência dos jovens, principalmente, os de menor idade. As instituições
estabelecem mitos e padrões de comportamento. O aspecto educativo mais amplo como
desenvolver a consciência crítica com responsabilidade é deixado de lado. A
universidade estimula a desigualdade, elitizando e selecionando seus membros, favorecendo
os já privilegiados pela sorte e aumentando cada vez mais o abismo entre educar e formar
indivíduos para a vida. (Maakaroun, Marília de Freitas.)
A exemplo disso, conforme com o Censo Educacional, do Ministério da
Educação, em 1994 havia mais de 40 milhões de estudantes registrados em atividades
educacionais desde o primeiro grau até a faculdade. No ensino superior, com 1,6 milhões
de estudantes matriculados, cerca de sete em cada 10 freqüentam instituições privadas.
Além disso, um estudo constata que sete entre dez dos primeiros empregos obtidos por
portadores de diplomas universitários se encontram em categorias média e média-alta de
salário. Atualmente o governo federal mantém apenas 89 escolas de 2º grau públicas em
contrapartida, a universidade brasileira, onde se encontra esmagadora maioria de jovens
oriundos dos setores mais privilegiados da sociedade brasileira, se beneficia de 2/3 dos
recursos orçamentários e vem ampliando de forma crescente sua participação no bolo de
dotações orçamentárias federais, estaduais e municipais.
Pesquisa realizada no estado de São Paulo revelou que, 72,24% desses
jovens que não pagam mensalidades à universidade, residem em casa própria.; quase 50%
deles (47,31%) possuiam carro e uma renda familiar superior a 30 salários mínimos. Além
disso, os órgãos publicos estatais respondiam por 53,80% das bolsas distribuídas nas
universidades públicas. A conclusão mostrada pela revista brasileira Conjuntura
Econômica, editada pelo Instituto de Pesquisa Economica, foi de que cerca de 10 milhões
de crianças brasileiras, às vésperas do ano 2000, ainda não têm acesso à escola
primária e, muito menos, a universidade pública. Além disso, a universidade estatal
brasileira desfruta de uma das mais baixas proporções de aluno por professor do mundo.
No Brasil, considerando-se a matrícula de 1990, esta relação era de 6,46% alunos, o que
se podia comparar com oito alunos por mestre na universidade estatal e, de 15,2
alunos/professor na universidade particular. Na França, esta relação é de 23
alunos/professor; na Argentina, 16 alunos e, nos Estados Unidos, 13 alunos por professor.
Esse mesmo Instituto, quastiona a produtividade da universidade estatal. Para 212 mil
vagas oferecidas em 1990 na universidade particular, o ensino superior oficial colocou em
oferta apenas 65 mil. Enquanto no vestibular de 1989 entraram nas faculdades particulares
44 mil novos alunos e nas universidades federais ingressaram apenas 6.410.
Esse mesmo levantamento mostrou, também, que pelo menos 1/3 dos alunos
das escolas superiores particulares trancam a matrícula por falta de recursos. Em geral,
são originários de famílias com renda de 1 a 2 salários mínimos. Em contrapartida, os
alunos das universidades estatais, beneficiados pela absoluta gratuidade de ensino -
bandejões, bolsas etc., além de casa prórpia, automóveis e da mesada do pai, possuem,
ainda, caderneta de poupança (69%), cheque especial (35%), cartão de crédito (25%),
aplicações financeiras (17%), imóveis alugados (31%) e a média de renda declarada foi
de 30 salários mínimos. Essa total inversão de valores se deve ao paternalismo estatal,
ainda decorrente do período de 64, em beneficiar com verbas as universidades e esquecendo
as escolas públicas de 1º e 2º graus. É dever das instituições aproveitar as
potencialidades do universitário, encará-lo como profissional holístico e não como uma
espécie de peça especializada dentro de uma linha mecânica e inflexível. A melhoria do
sistema do ensino brasileiro é tão importante para o sucesso econômico. Sem isso o
país não terá condições de competir em uma economia globalizada, com organizações
formadas por profissionais saídos de sistemas educacionais eficientes e sintonizados com
os tempos atuais. Uma grande parcela da melhoria do sistema de ensino é responsabilidade
das empresas brasileira. É por meio de uma parceria entre universidade e empresa que
será garantida a atualidade necessária à formação acadêmica recebidas nas
universidades. Nesse contexto,é entendido a importância do estágio de complementação
curricular. É está modalidade que traz o estudante para uma série de novos desafios a
serem vencidos por meio da rearticulação da sua base teórica. O estágio é peça
fundamental no programa de qualidade total na formação profissional. (CIOCCHI, Luiz A.-
1995).