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Fecha de actualización:
10/04/2008

 

 

 

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Brasil

Programa supletivo profissionalizante "Construíndo o Saber"
Premio Betinho 2001 - Cidadania e Democracia
Menção honrosa na Câmara Municipal de São Paulo

 

Centro de Educação, Estudos e Pesquisas (CEEP)
Rua das Carmelitas 140 Bairro Centro
CEP 01020-010
São Paulo
Tel. (011) 3104-7244  Fax:  3105-3787
e-mail: ceep-sp@uol.com.br

DADOS SOBRE O PROGRAMA

Nome do programa, projeto ou atividade . Organizações Envolvidas

PROGRAMA SUPLETIVO PROFISSIONALIZANTE "CONSTRUÍNDO O SABER", é desenvolvido pela nossa institução, CEEP (Centro de Educação, Estudos e Pesquisas), com o financiamento da Secretaria de Emprego e Relações de Trabalho, do Ministério de Trabalho; acompanhamento e certificação do Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza; e com orientação pedagógica (objetivos e metodologias interdisciplinares) da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo.

Conta, ainda, com a parceria de várias entidades, especialmente sindicatos e organizações populares:

  • Sindicato dos Trabalhadores Químicos, Farmacêuticos, Plásticos de Explosivos, Abrasivos, Fertilizantes e Lubrificantes de Osasco e Região;
  • Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Rádio Difusão e Televisão do Estado de São Paulo;
  • AFUBESP – Associação dos Funcionários do Banespa;
  • SITRAEMFA – Sindicato dos Trabalhadores em Entidades de Assistência ao Menor e à Família do Estado de São Paulo;
  • Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Fabricação Beneficente e Transformação de Vidros, Cristais, Espelho, Fibra de Lã de Vidro e Atividades Afins no Estado de São Paulo;
  • Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas, Material Elétrico e Eletro Eletrônico de Limeira, Rio Claro e Região;
  • Sindicato dos Oficiais Marceneiros e Trabalhadores nas Indústrias de Móveis de Madeira, Serrarias, Carpintarias, Tanoarias, Madeiras Compensadas e Laminadas, Aglomerados e Chapas de Fibra de madeira, de Móveis de Junco e Vime de Vassouras e Cortinados e Estofados de São Paulo.
  • Pastoral Operária Metropolitana de São Paulo;
  • CECSPA – Centro de Educação Comunitária São Paulo Apóstolo.

Origem de Recursos

O programa é desenvolvido com recursos do Plano Nacional de Formação Profissional (PLANFOR), Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) .

PÚBLICO ALVO:

Os cursos destinam-se a trabalhadores jovens e adultos-homens e mulheres, empregados e/ou em risco de desemprego (em alguns casos desempregados), com idade mínima de 25 anos (em alguns casos de 20 a 24 anos) e escolaridade correspondente aos quatro primeiros anos do Ensino Fundamental.

Pressupõe-se que estes alunos, em sua maioria, provenientes de sindicatos ou outras entidades e atividades sociais tem uma experiência e interesses adequados a uma suplência que relacione a preocupação de aprendizagem com questões coletivas e o saber acumulado e sistematizado pela sociedade.

PERFIL DOS ALUNOS DO CURSO SUPLÊNCIA PROFISSIONALIZANTE

A pesquisa que traçou o perfil dos alunos do curso de Suplência Profissionalizante, integrando o Itinerário Formativo, realizou-se através de questionário específico, em outubro, dezembro de 1999 e março de 2000, envolvendo 135 alunos. Esta amostra, obtida de um total de 280 alunos que iniciaram o curso, constitui a base de cálculo para a maioria dos percentuais aqui apresentados.

O questionário, aplicado a esses alunos, abordou diversas aspectos relativos a sua vida pessoal e escolar; dificuldades, expectativas e sugestões relativas ao curso; trabalho, renda e moradia. As questões levantaram aspectos significativos com objetivo de demonstrar as especificidades dos alunos de um curso Profissionalizante.

Do total de alunos que responderam ao questionário, 66,67 % são homens e 33,33 % mulheres. Observando-se a distribuição desses alunos por sexo e local (cidade) do curso (tabela 01) verifica-se a predominância das mulheres em São Paulo e dos homens nas demais cidades. Quanto a idade (tabela 02) os percentuais mais significativos estão na faixa de 31 a 40 anos, exceto em Rio Claro cuja faixa etária, com maior percentual, é a de 21 a 30 anos. Em termos da média de idade, os alunos, na época da pesquisa, possuíam em torno de 35 anos. Em São Paulo, a média foi de 37,74 anos; em Limeira, 35,13 anos; em Franca, 32,86 anos e em Rio Claro, 32,56 anos.

Na verificação da escolaridade (tabela 03), a maioria cursou até a 4a. série: 52,27%; e da 5a. à 8a. série: 47,73 %. Sendo que percentuais acima de 50 % são observados, de 5a. à 8a. série, em Franca e Rio Claro, e de 46,94% em São Paulo até a 4a.

As dificuldades de seu curso, foram avaliadas junto a 63 alunos, dos quais 33,33 % apontaram a ausência de equipamentos; 30,16 % disseram ter dificuldades com aulas práticas e 23,81 % devido à heterogeneidade da turma.

Analisando-se as informações sobre o intervalo de tempo que alunos ficaram sem estudar (tabela 04), concluiu-se que, em torno de 42,22 %, estavam há mais de 20 anos sem freqüentar a escola. Os alunos das cidades, São Paulo e Limeira apresentam os maiores percentuais, desse intervalo, na faixa de 21 a 30 anos enquanto em Rio Claro e Franca a faixa se reduzia ficando entre 11 a 15 anos.

O levantamento das expectativas em relação ao curso (tabela 05) levaram a 5 (cinco) itens mais citados. Entre estes sobressaíram: aprender/ ampliar conhecimento para 46,67 % dos pesquisados; e, arrumar emprego melhor para 45,93 % dos alunos pesquisados. Quanto às sugestões indicadas para melhoria do curso, dos 5 (cinco) itens mais citados, os mais freqüentes foram mais e melhores aulas de informática e mais computadores. Observe-se, entretanto, que em torno de 22,22 % dos alunos não foram incluídos devido a letra ilegível ou ausência de resposta.

Quanto a ocupação profissional, num total de 127 alunos, 69,29 % são empregados com carteira assinada, dos quais 34,09 % em São Paulo. Os desempregados perfizeram 15,75 % e aqui também o maior percentual está em São Paulo. Os dados revelaram, ainda, que 8,66 % daquele total de alunos eram, na ocasião, autônomos; 3,94% eram empregados sem carteira; e, 2,36 % aposentados. Tendo em vista os desempregados, a maioria pertencia ao setor calçadista de Franca. Mas, também, havia desempregados provenientes de outros setores como: o metalúrgico, comércio, serviços e transporte.

Dos alunos que estavam trabalhando , 33,03 % são metalúrgicos, concentrando-se a maioria em Limeira; 22,94 % são trabalhadores da indústria de calçados em Franca; 11,93 % são do setor de transporte de São Paulo; 9,17 % estão no mercado informal, a maioria deles em Franca. As outras profissões/ ramos que se fizeram presentes, apresentaram percentuais muito pequenos: comércio, serviços domésticos, vidreiros, bancários, entre outras(os).

Perguntados sobre a idade de sua entrada no mercado de trabalho, revelaram que a grande maioria, 87,09 %, começou entre 7 a 14 anos, sendo que 40,32 % tinha entre 7 a 10 anos e 46,77 % de 11 a 14 anos. Assim, a média de idade com a qual os alunos começaram a trabalhar, por cidade, foi: São Paulo: 11,86 anos; Rio Claro: 11,44 anos; Franca: 11,28 anos e Limeira: 10,76 anos.

Quanto a renda, observou-se que 48,89 % recebiam na ocasião da pesquisa, de R$ 301,00 a R$ 600,00; 23,70 % de R$ 1,00 a R$ 300,00. Apenas 1,48 % recebiam mais de R$ 1000,00. A faixa de R$ 301,00 a R$ 600,00 apresentou os maiores percentuais nas cidades de Rio Claro: 64,71 %; Limeira: 59,26 %; São Paulo: 43,14 %; Franca: 42,50 %. Nesta cidade a faixa de R$ 1,00 a R$ 300,00 apresentou também 42,50 %.

As respostas, dos alunos, sobre as entidades sociais das quais participam, indicam que 37,96 % dos alunos pesquisados participam de sindicatos, enquanto que 43,79 % de atividades religiosas; e, em percentuais bem menores há os que participam de associações de bairros e comunidades de base. Em todas as cidades, exceto São Paulo, os maiores percentuais referem-se a participação em atividades religiosas; mas, em São Paulo, está o maior o percentual (47,83 %) trata-se de alunos que participam de sindicatos.

No levantamento de indicações de moradia, descobriu-se que 49,25 % possuem casa própria, não se sabendo porém a qualidade dessa moradia; 21,64 % moram em casa alugada e 11,94% em casa financiada; e os 17,16 % restantes moraram em casas emprestadas ou em construção. Do total desses alunos, a grande maioria, mais de 90,00%, informaram morar em casa de alvenaria, com água encanada, coleta de lixo, sistema de esgoto, luz elétrica. Entretanto, menos de 87,00 % moram em ruas que tem pavimentação, guias e sarjetas.

ITINERÁRIO FORMATIVO

PERFIL DOS ALUNOS DO CURSO SUPLÊNCIA PROFISSIONALIZANTE

Tabela 01

Distribuição percentual do número de alunos que responderam ao questionário por local do curso e sexo

LOCAL

HOMENS (%)

MULHERES (%)

TOTAL (%)

São Paulo

34,44

44,44

37,78

Limeira

21,11

17,78

20,00

Rio Claro

13,34

11,11

12,59

Franca

31,11

26,67

29,63

Total (%)

100,00

(90)

100,00

(45)

100,00

(135)

 

Tabela 02

Distribuição percentual do número de alunos pesquisados por local do curso e faixa etária

FAIXA ETÁRIA

(ANOS)

SÃO PAULO

LIMEIRA

RIO CLARO

FRANCA

TOTAL (%)

20 anos

1,97

-

-

2,50

2,15

21 a 30 anos

21,57

25,93

47,06

35,00

29,63

31 a 40 anos

37,25

55,56

35,29

50,00

44,44

41 a 50 anos

31,37

14,81

17,65

12,50

20,74

51 a 60 anos

7,84

3,70

-

-

3,04

Total (%)

100,00

(51)

100,00

(27)

100,.00

(17)

100,00

(40)

100,00

(135)

 

Tabela 03

Distribuição percentual do número de alunos pesquisados por local do curso e escolaridade

ESCOLARIDADE

SÃO PAULO

LIMEIRA

RIO CLARO

FRANCA

TOTAL(%)

1a. a 3a. série

8,16

-

5,88

-

3,78

4a. série

46,94

59,26

41,18

46,15

48,49

5a. a 8a. série

44,90

40,74

52,94

53,85

47,73

Total (%)

100,00

(49)

100,00

(27)

100,00

(17)

100,00

(39)

100,00

(132*)

*3 (três) alunos não responderam a esta questão.

 

Tabela 04

Distribuição percentual dos alunos pesquisados por local do curso e anos sem estudar

ANOS SEM

ESTUDAR

SÃO PAULO

LIMEIRA

RIO CLARO

FRANCA

TOTAL(%)

até 5 anos

15,69

7,41

11,76

20,00

14,81

6 a 10 anos

11,76

14,82

17,65

7,50

11,86

11 a 15 anos

1,96

7,41

23,53

27,50

13,33

16 a 20 anos

13,72

29,63

17,65

15,00

17,78

21 a 30 anos

39,22

37,03

17,65

17,50

29,63

+ de 30 anos

17,65

3,70

11,76

12,50

12,59

Total (%)

100,00

(51)

100,00

(27)

100,00

(17)

100,00

(40)

100,00

(135)

 

Tabela 05

Distribuição percentual dos alunos pesquisados por expectativas em relação ao curso

EXPECTATIVAS *

NO. DE ALUNOS

% **

Aprender/Ampliar conhecimentos

63

46,67

Arrumar emprego melhor

62

45,93

Terminar 1º grau

39

28,89

Exigências do mercado de trabalho

24

17,78

2º grau (técnico)/ faculdade

17

12,59

* incluídas na tabela apenas as 5 (cinco) expectativas mais freqüentes;

** base de cálculo para cada item: 135 alunos (100,00%).

 

Tabela 06

Distribuição percentual dos alunos pesquisados por sugestões para melhorar o curso

SUGESTÕES PARA MELHORAR O CURSO*

NO. DE ALUNOS

% **

Mais e melhores aulas de informática

44

41,90

Mais computadores

39

37,14

Melhorar sala de aula/sala fixa

20

19,05

Mudar local/ horário de aula

10

9,52

Melhorar aulas de português/ matemática/ história/ geografia/ ciências

9

8,57

* incluídas na tabela apenas as 5 (cinco) sugestões mais freqüentes;

** base de cálculo para cada item: 105 alunos (100,00%).

Obs.: 30 (trinta) alunos, 22,22 %, não responderam ou sua resposta não foi considerada por estar ilegível.

ABRANGÊNCIA: âmbito de ação, apontando possibilidades de ampliação para outros locais.

O CURSO SUPLETIVO PROFISSIONALIZANTE "CONSTRUÍNDO O SABER" se originou a partir de amplas discussões e análises no âmbito da educação além de considerar experiências anteriores levadas adiante em várias escolas de trabalhadores. Seus cursos foram implantados em quatro cidades do estado de São Paulo: Franca, Limeira, Rio Claro e São Paulo. O projeto foi iniciado, em 1999, como um projeto piloto, uma experiência sistematizada, que, poderia se expandir em outros locais onde atua o Conselho das Escolas de Trabalhadores: Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Recife.

Trilhando o caminho previsto, foram concluídos os cursos de 1999. E, em 2001, ampliou-se o número de turmas de Ensino Fundamental além de se criarem as primeiras de Ensino Médio. Também estão se desenvolvendo, esse ano, aulas no município de Carapicuíba, e estão se mantendo contato com a empresa Saned da cidade de Diadema, para implementar o projeto nessa cidade. Este projeto de educação aponta, também, para o aproveitamento da experiência de outros países, abrindo a perspectiva de se pensar um curso superior diferenciado para o trabalhado.

ORIGEM

A sociedade brasileira passa por profundas transformações sócio-econômicas e culturais engendradas pelo chamado processo de mundialização da economia, impulsionado por uma revolução tecnológica em todos os setores da produção.

Muitos são os trabalhadores com baixa escolaridade, que necessitam alcançar níveis culturais mais avançados e adquirir competências específicas como garantia para obtenção ou permanência no emprego.

As inovações tecnológicas provocam grandes mudanças nas relações de produção principalmente no mundo do trabalho e exigem um novo perfil do trabalhador, maior formação, flexibilidade e qualificação. Uma alternativa para a grande maioria dos trabalhadores deste país consiste na formação geral que deve prepará-los para os setores emergentes e em expansão. Isso torna oportuna a formulação de um curso supletivo de caráter profissionalizante, ou seja composto por matérias da Base Nacional Comum, em conjunto com a área técnica direcionada a qualificação profissional.

Ouvindo e discutindo com o Conselho de Escolas de Trabalhadores – CET, o CEEP elaborou esse projeto de educação para recuperar/elevar o saber do trabalhador, que por motivos, os mais diversos não concluíram a educação fundamental no tempo devido.

Este programa, amplia as possibilidades desses trabalhadores e cumpre um papel fundamental no processo de produção, uma vez que diminui a distância entre os conhecimentos adquiridos na escola e a realidade vivenciada no mundo da produção e do trabalho.

PROPÓSITOS, OBJETIVOS E METAS

O CURSO SUPLETIVO PROFISSIONALIZANTE "CONSTRUÍNDO O SABER" tem como objetivo, mais amplo, elevar o nível de escolaridade e, principalmente, fornecer instrumentos de criação, pesquisa e critica, para que possam elaborar, de forma autônoma, o seu próprio conhecimento. Visa, portanto, reconstruir, valorizar e ampliar o saber próprio do trabalhador/aluno.

Assim, o programa, participa do esforço coletivo de construir uma política de formação profissional, capaz de responder às múltiplas necessidades, tanto do ponto de vista do exercício profissional como da sua participação cidadã. Para isso, a recuperação da escolaridade torna-se um componente fundamental.

Trata-se de uma opção para construir a auto-confiança do trabalhador ao favorecer movimentos de busca e de descoberta. A melhoria de seu preparo escolar/profissional para neutralizar o peso da autodesvalorização, forte, pelo impacto econômico, social e político do neoliberalismo. Daí a urgência em possibilitar aos trabalhadores/alunos o acesso aos conteúdos escolares básicos, ajudando-os a aprofundar o conhecimento científico, compatibilizando-o com suas experiências de vida e especialmente do mundo do trabalho.

O fortalecimento da auto-estima, desbloqueando a inteligência e estimulando o aprendiz, traz à tona vivências anteriores. O trabalhador/aluno as interpreta, compreende o seu significado e as categoriza, à luz da ciência. Esse material serve de argamassa que vai unindo, reelaborando as informações recebidas e processando a reconstrução do próprio saber.

Outro ponto fundamental pensado para este Curso é a participação de Sindicatos e Movimentos Sociais. Ao atuar se envolve na compreensão da realidade que o cerca e na realidade do mundo do trabalho, e nas tentativas de explicitar as necessidades e perspectivas de sua categoria profissional e da prática solidária.

Explicitando esse seu objetivo geral, a proposta do "Supletivo Profissionalizante" foi apresentada e discutida em reuniões com os alunos, suas lideranças sindicais, Movimentos Sociais, Universidades e outros setores que atuam na formação de trabalhadores.

O curso se desenvolveu guiado por objetivos que arrolamos:

  • Possibilitar ao aluno/trabalhador uma formação geral, crítica e cidadã em nível de conclusão do ensino fundamental associada a uma formação profissional.
  • Capacitar trabalhadores, desempregados e de baixa escolaridade para a inserção ou reingresso no mercado de trabalho, bem como, prepará-los para participar, de forma ativa, nos projetos de construção coletiva de alternativas econômicas de produção associadas (cooperativas, empresas auto-geridas).
  • Contribuir para a elaboração de metodologias inovadoras de ensino e avanço conceitual no campo da formação profissional.
  • Criar um projeto experimental inovador na área de Educação profissionalizante mantendo intercâmbio com outras entidades públicas e privadas no sentido de socializar e divulgar os avanços concretos obtidos. Disseminar essa experiência através do Centro Público de Vila Formosa e junto a outras entidades para a sua utilização e consequentemente, contribuir para a construção de políticas públicas na área de formação profissional.

EXECUÇÃO

O primeiro curso foi executado com oito turmas, assim distribuídas, quatro turmas em São Paulo, sendo duas na ETE Martin Luther King e duas outras na ETE Prof. Aprígio Gonzaga; duas turmas na ETE Dr Julio Cardoso, em Franca; uma turma na ETE Trajano Camargo, em Limeira e uma turma na ETE Prof. Armando Bayuex da Silva, em Rio Claro.

Actualmente , as aulas são desenvolvidas na sede do Sindicato dos Marceneiros de SP; no município de Carapicuiba , na grande São Paulo e nas cidades de Limeira. Rio Claro e Franca.

Os alunos são indicados pelos Sindicatos e Movimentos Sociais parceiros, com conhecimento correspondente às quatro primeiras séries do Ensino Fundamental. As turmas de Limeira e Rio Claro estão vinculadas ao Sindicato dos Metalúrgicos da Região; a de Franca ao Sindicato dos Sapateiros e as de São Paulo congregam alunos pertencentes a diferentes sindicatos Marceneiros, Vidreiros, Condutores, Trabalhadores em Entidades Sociais, Associação dos Funcionários do Banespa e São Paulo Apóstolo.

Os componentes curriculares exigidos por lei, como "base nacional comum" foram agrupados em grandes áreas do conhecimento, enraizando-os na complexa realidade contemporânea. Assim sendo, as áreas Linguagens e Representações tiveram os componentes Língua Portuguesa e Matemática; a área Sociedade e Cultura tiveram as disciplinas de História, Geografia, Trabalho e Cidadania, a área de Ciência e Tecnologia teve como componente Ciências.

Colocadas as disciplinas obrigatórias, pensou-se na formação profissional que juntamente com o componente Trabalho e Cidadania integrou a parte diversificada. Trabalho e Cidadania atuou como interlocutor entre os alunos e o mundo do trabalho, trazendo à reflexão, questões ligadas às conquistas trabalhistas, direitos, cidadania e gestão, enfatizando nesta a importância das organizações associativas.

Das mil e seiscentas horas do curso, destacamos quinhentas horas para a elaboração e execução de "Projetos", definidos por professores e alunos. Estes projetos se constituíram em momentos de aprofundamento, ou ampliação de conceitos trabalhados em sala de aula. Seu resultado, como também, o processo desenvolvido e os conteúdos pesquisados integraram dialeticamente os componentes curriculares. Assim, os objetos de pesquisa foram observados e analisados sob as diferentes óticas disciplinares.

Os cursos totalizaram mil e seiscentas horas, organizadas em três ciclos, correspondentes a três semestres. No terceiro e último ciclos introduziram-se os cursos profissionalizantes, cuja escolha foi definida pelos alunos, aliada às possibilidades físicas e pedagógicas da escola e considerando as necessidades do mercado local de trabalho. Houve também a necessidade de atender aos pré-requisitos exigidos pelo CEETEPS para certificação.

Isto posto, as opções dos alunos foram: em São Paulo, Montagem e Manutenção de Microcomputadores, Agente Comunitário de Saúde e Auxiliar Administrativo. Em Franca Eletricidade Predial e Residencial, Auxiliar Contábil e Aprofundamento em Informática. Em Limeira e Rio Claro: Eletricidade Predial e Residencial e Aprofundamento em Informática.

As linhas gerais de sua execução foi de responsabilidade o CEEP, com a participação dos Sindicatos e Entidades Sociais, a Coordenação dos Cursos do CEETEPS, bem como os critérios de distribuição dos recursos financeiros provindos do FAT. Esses recursos foram repassados à instituição escolar pública pela SERT.

Na seleção de professores, o CEEP priorizou aqueles que tinham envolvimento com as classes trabalhadoras, o que facilitou o diálogo e a valorização do saber do aluno. Esses mesmos professores participaram de reuniões pedagógicas semanais nas unidades escolares e de reuniões gerais mensais de formação.

Nas reuniões semanais, as prioridades foram discutir, elaborar e colocar em prática a interdisciplinaridade; levantar dificuldades apresentadas pelos alunos e propor encaminhamentos.

Nas reuniões gerais mensais de formação, reuniam-se todos os professores das oito turmas, a assessoria e a coordenação do CEEP, para promover o desenvolvimento metodológico, estudo do meio, interdisciplinaridade, aprofundamento de conceitos e a elaboração de conteúdos para as diferentes áreas.

Esses encontros, também, incluem um momento para a participação dos sindicatos envolvidos no Programa.

A etapa inicial do curso é a construção do perfil do público/alunos do Curso de Suplência, no que se destaca conhecer sua trajetória e expectativas profissionais. A partir dessas informações iniciais, foi elaborado um diagnóstico da situação de emprego e das mudanças ocorridas nas atividades relacionadas as categorias profissionais participantes do Programa. Tal estudo envolveu os alunos na analise das diferentes ocupações e ou setores económicos, empresas e região onde se localizam. Essa etapa inicial levou o aluno a construção de um conhecimento intimamente relacionado ao seu viver, que ele sabe, eficiente para a sua promoção da sociedade.

A construção desse diagnostico consiste em trabalho abrangente e complexo que inclui o levantamento de fontes primarias e da literatura existente sobre o assunto, estudos e analises produzidos pela universidade e instituições de pesquisa (DIESSE, SEADE, IBGE, etc).

O levantamento de informações foi realizado através da aplicação de questionários nos alunos das diferentes turmas e realizando entrevistas de aprofundamento. Algumas dessas entrevistas foram realizadas, na situação de trabalho desses alunos.

Durante toda a primeira fase do processo de pesquisa serão desenvolvidas atividades com os sindicalistas dos diferentes sindicatos de maneira a levantar informações sobre o perfil das categorias, sobre sua situação profissional, e as expectativas desses agentes sociais em relação à formação e à profissionalização.

O segundo momento dessa pesquisa consistiu na realização de estudos de aprofundamento dos itinerários formativos das ocupações selecionadas na fase inicial. A esse respeito, é importante enfatizar que um dos objetivos desse Programa consiste em preparar os alunos trabalhadores para participar, de forma ativa, nos projetos de construção coletiva de alternativas econômicas de produção associadas (cooperativas, empresas de auto-gestão). Nessa medida, um dos componentes básicos dos conteúdos profissionalizantes diz respeito ás formas de organização econômica solidária, ao cooperativismo. Para a realização dessas experiências, o Programa conta com o apoio da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da Universidade de São Paulo USP.

PARTICIPAÇÃO DA COMUNIDADE

O trabalho foi elaborado, gerido e executado em parceria com os movimentos, representados pelos sindicatos e associações . Os sindicalistas tiveram e têm uma atuação permanente, tanto na elaboração inicial do projeto, busca de outras parcerias e de financiamento, para o curso Supletivo Profissionalizante. A peculiaridade do curso foi a sua atuação efetiva e comprometida desde a seleção de alunos e professores, ao acompanhamento de reuniões nas unidades escolares, com a assessoria e com a administração pública em suas várias instâncias. Muitos participantes dos movimentos foram, inclusive, alunos dos cursos. Suas contribuições se deram sempre no sentido de incentivar os alunos, propondo políticas públicas para a educação dos trabalhadores pelos trabalhadores, dentro do espaço escolar público.

A seguir selecionamos alguns depoimentos significativos de alguns sindicalistas que atuaram e estudaram no projeto explicitando a importância do curso:

José Carlos Pereira — Diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Limeira, Rio Claro e Região;

"Assim, como Saúde, Moradia, Meio Ambiente, e outras questões sociais, a educação no Brasil é sempre deixada em segundo plano.

Hoje, temos vários milhares de alunos fora das salas de aulas, professores mal remunerados falta de apoio pedagógico entre outros descasos, configurando, assim, o total desprezo pelo ensino brasileiro. Veja que não é por acaso que o Brasil está entre os países que tem o maior índice de analfabetos, piores índices de aprendizado nas escolas, constituindo, assim, a maior massa de manobra já existente.

Constituem tais números, os pobres, os trabalhadores, os excluídos da sociedade, pois, enquanto 10% da nossa população tem o melhor ensino, saúde, lazer, a grande maioria dos trabalhadores vivem com média de dois a três salários mínimos.

O que é comum e natural para o governo brasileiro, tem sido um desafio para o movimento sindical comprometido com esta luta, pois quando falamos de educação, estamos falando de cidadania, de dignidade, de justiça e de liberdade, pois é inconcebível vivermos em um país que e o em riqueza e admitir que sejamos o país dos analfabetos.

Foi desta preocupação que surgiu o projeto supletivo profissionalizante que tem, não só, um carater de ensinamento da matemática, ciências, português, entre outras matérias comuns ao currículo escolar, mas o despertar de um povo para o ser cidadão de fato, e real".

José Costa Prado — Diretor do SINTRAEMFA

"Sou do SINTRAEMFA - Sindicato dos Trabalhadores em Entidades de Assistência ao Menor e à Família do Estado de São Paulo, represento os trabalhadores na área social. Sou aluno do Supletivo Profissionalizante e tenho militado nessa área há alguns anos.

O Supletivo é muito necessário em nosso país, pela quantidade de pessoas que não complementaram o Ensino Fundamental . E ai estou eu, com 46 anos, na sala de aula, fazendo o meu primeiro grau.

Pela minha trajetória se explica o estar nesse curso. Recebi formação dentro do Movimento Sindical, então, não sou parâmetro para a maioria dos trabalhadores deste país. O Supletivo se faz importante porque os trabalhadores, precisam caminhar a partir de onde estão, ou seja a partir de sua experiência e maturidade.

As nossas dificuldades são muitas, e o papel do CEEP é muito importante, pois, nós não temos professores formados para lidar com gente adulta e que já tem uma caminhada. Uma das grandes dificuldades é a postura do professor diante dos alunos, da relação que ele estabelece, levando o aluno a desistir do curso. Como sindicalista, tenho acompanhado o curso de formação, realizado pelo CEEP que prepara os professores.

Uma coisa muito boa desse curso são os sonhos, fazer as pessoas sonharem com outra vida. Tenho percebido um crescimento grande dos colegas. A educação pode ser uma trincheira muito forte para a luta pela cidadania, para fazer essa sociedade inteiramente diferente do que ela é hoje".

Paulo Francisco Moura — trabalhador metalúrgico, ex- diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, oposição à atual diretoria.

"Percebi a necessidade de voltar para a escola a fim de recuperar o tempo perdido, apesar de ter feito até a sexta série do ensino regular e alguns cursos do SENAI, me sentia um órfão da educação. Voltei a estudar incentivado por companheiros da oposição sindical e de pessoas amigas que fazem parte da equipe pedagógica do CEEP e agora embalei... A minha intenção é continuar estudando, pois, quanto mais preparado estiver, poderei ajudar melhor as pessoas que me rodeiam e a sociedade em que vivo, além de servir de incentivo para a juventude.

Tenho muita vontade de ajudar meu semelhante, mas às vezes percebo a minha limitação, por essa razão estou pensando seriamente em melhorar meus conhecimentos, trabalhar num escritório de advocacia, como auxiliar, pois a porta de uma Delegacia ou de um Tribunal, estão fechadas às pessoas carentes, por serem pobres e humildes são tratadas com descaso.

Tive a felicidade de participar do Supletivo promovido pelo CEEP, onde também sou diretor. Concluí esse curso juntamente com os demais companheiros. que abraço fraternalmente, pelo entendimento e amizade que reinou durante os 15 meses que convivemos juntos.

Clara Lúcia de Aguiar- Diretora do Sindicato dos Sapateiros de Franca:

"O envolvimento do sindicato com o Curso Supletivo teve como propósito o resgate da cidadania através da valorização do ensino, estimulando a consciência critica e a auto-estima do trabalhador, através da qualificação e requalificação. Assim como, a busca pela inserção do trabalhador no mercado de trabalho.

Através do acompanhamento do supletivo e apoiando as iniciativas dos professores e da diretoria da escola, manteve uma relação de parceria, visando o trabalho em equipe, buscando o aprimoramento do processo ensino-aprendizagem.

O envolvimento do sindicato foi muito além.. providenciou a merenda para os alunos durante três meses, uma vez que estes saiam do trabalho direto para a escola, sem tempo para alimentar-se; e, depois disso o sindicato conseguiu com que a prefeitura assumisse essa responsabilidade.

Contribuiu substancialmente com os projetos realizados pelo curso, inclusive financeiramente, participando da Primeira Semana da Cidadania "Brasil 500 anos de opressão, luta e resistência cultural", cuja abertura solene teve como palestrante o diretor do sindicato Milton da Silva, tratando do tema "Cidadania e Sindicalização, o papel do sindicato na formação do cidadão".

O sindicato pretendeu dar ênfase à questão da solidariedade buscando formar cidadãos críticos em relação à questão social, que busquem a transformação da sociedade numa sociedade mais justa e igualitária de homens e mulheres livres".

CONTRIBUIÇÃO DO PROGRAMA

Neste projeto, a pedagogia não é vista como uma simples questão de método, mesmo porque a questão do método não é uma simples questão neutra. O modo é sempre modo de um conteúdo conforme as suas cargas e tensões. A pedagogia que se volta para o tornar-se cidadão é uma pedagogia voltada para a expansão da autonomia dos sujeitos sociais: um processo, portanto. que não tem fim. Um processo pelo qual os sujeitos se dão, a cada vez, e socialmente, um novo fim.

São características desse processo:

  • a valorização das experiências acumuladas que cada um traz;
  • a construção conjunta e intercomplementar das habilidades, conhecimentos e condutas;
  • a desmistificação da absolutização do conhecimento e da carga de poder que a esta se associa;
  • a ação ligada à reflexão e à intervenção social;

O sindicato pretendeu dar ênfase à questão da solidariedade buscando formar cidadãos críticos em relação à questão social, que busquem a transformação da sociedade numa sociedade mais justa e igualitária de homens e mulheres livres com a construção da autonomia, o exercício do poder compartilhado e a invenção de novas formas de:

  • representação;
  • a abertura à crítica, à reciclagem e à re-invenção;
  • a permanente avaliação;
  • a responsabilização e o envolvimento dos alunos e ex-alunos em relação ao empreendimento social no qual se constitui cada uma das Escolas dos Trabalhadores.

Esse processo, portanto não se limita apenas ao aprender, como se o aprendizado conjuntamente construído fosse já o ponto de chegada. Ele se estende ao aprender a aprender, a criticar o aprendido e a se abrir para novas criações, em um processo pedagógico no qual todos são, por igual, atores e efetivamente participantes.

Para nós, a questão pedagógica não se restringe a construção de habilidades profissionais e de conhecimentos desenvolvidos em oficinas, laboratórios e salas de aula. Mas, se estende a todos os espaços da vida escolar no qual se busca a gestão democrática do processo educativo, visando transbordar para fora, para a luta pela gestão e governo do mundo social.

Por isso, a dimensão política de todos os assuntos trabalhados deve ser buscada com discernimento, através de ganchos bem construídos e capazes de tornar a discussão política mais sistemática. Para isso, há necessidade de preparação e pesquisa, a fim de tornar essa discussão atraente e não um desvio ou perda de tempo em relação ao conteúdo específico.

As exigências desse processo implicam numa equipe de trabalho coesa, crítica e disponível, e em equipamentos e instalações apropriados e compatíveis com o desenvolvimento das atividades.

Implica, além disso, na continuidade do trabalho após o término do curso, através de atividades e iniciativas promovidas pelos próprios ex-alunos e incentivadas pela Escola.

RESULTADOS

A avaliação final dos cursos mostrou resultados positivos, para os alunos, sob diferentes dimensões. Concretizou-se a elevação da escolaridade dos 215 (duzentos e quinze) alunos. Esse avanço se expressou objetivamente pela obtenção do certificado de conclusão do Curso de Suplência Profissionalizante, nível fundamental.

No cômputo final chamou à atenção o alto índice de permanência e aprovação em todos os cursos. E, os cursos de Limeira atingiram o mais alto índice, com uma aprovação próxima de 95%. Nessa cidade, dos 35 alunos matriculados, 33 obtiveram o certificado. Esse sucesso pode ser explicado pelo empenho de todos os agentes envolvidos no trabalho: alunos, professores, coordenadores, Prefeitura, Igreja, sindicatos, movimentos sociais, empresas privadas e o CEEP.

Em termos mais amplos, as cidades de Franca, Rio Claro, Limeira e São Paulo passaram a contar com trabalhadores habilitados nos cursos supletivos de: Auxiliar de Informática, Agente Comunitário de Saúde, Montagem e Manutenção de Micro Computadores, Auxiliar Administrativo e Eletricidade Predial e Residencial. Fez parte dessa avanço profissional o fato de que todos se tornaram alfabetizados digitais. Estão, portanto, melhor preparados para atuar no mundo do trabalho e das relações pessoais valendo-se das novas tecnologias que marcam o mundo contemporâneo.

O trabalho guiado por objetivos amplos e os específicos, interrelacionados entre si, desenvolveram a almejada auto-estima e a responsabilidade diante dos problemas sociais. Nesse sentido a formação geral, que frequentemente era associada a formação específica, deu conta de uma postura mais crítica e cidadã.

Nesse aspecto e no tratamento de conteúdos e posturas a interdisciplinaridade foi posta em prática, ao longo dos cursos. A interdisciplinaridade incorporada resulta num novo olhar, uma nova interpretação do mundo e na compreensão de que o conhecimento é articulado. Posturas essenciais para autonomia intelectual e práticas mais fundamentadas. Autonomia que pode ser usufruída no cotidiano, para melhorar a vida pessoal e coletiva, bem como, ser o ponto de partida para novos avanços.

Ao final do programa também foram avaliadas as atividades pedagógicas desenvolvidas tendo como meta melhorar ainda mais o trabalho no Ensino Fundamental e fundamentar a criação dos Cursos Médios. Identificou-se, então, a necessidade da realização de estudos diagnósticos que aprofundem e qualifiquem as dificuldades e os êxitos obtidos no desenvolvimento da proposta, nos diferentes campos de atuação. A capacitação contínua dos professores, o permanente acompanhamento pedagógico, o registro de atividades de sala de aula, a elaboração de material didático, a definição de itinerários formativos foram considerados essenciais à construção de uma metodologia de ensino para adultos que possa contribuir como referência às políiticas públicas nesse campo de atividade. Considerou-se, também, a necessidade de maior envolvimento da Universidade no que diz respeito à realização de pesquisas sobre processos cognitivos para o aprendizado específico desses alunos trabalhadores adultos. Esses estudos além de subsidiar práticas educacionais em curso, virão suprir lacunas importantes na literatura sobre o assunto.

Outro significativo resultado foi o avanço profissional do corpo docente. Compartilhando o enfrentamento e a busca de soluções aos desafios e especificidades do trabalho de suplência de trabalhadores, os 45 (quarenta e cinco) professores, avançaram em conjunto com os alunos. Novas abordagens e a dosagem de conteúdos, a busca da interdisciplinaridade, tiveram que ser discutidos, num trabalho de equipe, que levou a redução da distância entre as várias áreas de conhecimento e fez o trabalho do professor ultrapassar os limites da sala de aula. Mais que isso, nesse processo de construção conjunta de conhecimento o professor passou a valorizar o saber do trabalhador.

Os depoimentos dos alunos trabalhadores é que melhor podem situar os resultados e a afinidades entre o objetivo e resultado do CURSO SUPLETIVO PROFISSIONALIZANTE "CONSTRUÍNDO O SABER":

"O Projeto Supletivo Profissionalizante nasceu de um sonho; o sonho da construção de um novo modelo educacional, onde os trabalhadores são os principais autores, trabalhando ativamente na construção deste projeto. Trabalho este, que realizamos com orgulho, pois afinal, já nos é possível ver, seus primeiros frutos, como por exemplo, o Encontro Internacional sobre Educação para os Trabalhadores e ainda, uma rede de informações, via internet, onde todos os trabalhadores participantes do projeto terão acesso. Estes são resultados bastante animadores. Transcendente também, é poder sentir o sorriso e o renascimento desses trabalhadores, que depois de muito tempo afastados dos bancos das escolas, podem agora mostrar que são capazes, e são. Isto mostra que, se houvesse vontade política do governo brasileiro poderíamos ter uma das melhores escolas do mundo, e consequentemente, um povo mais feliz e um país mais cidadão, com a elevação dos índices educacionais, com um povo, que sem sombra de dúvida, daria aulas a todos aqueles que nos oprimem nos dias de hoje. A soberania de um povo não se discute; se defende com as próprias mãos.

(José Carlos Pereira — Diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Limeira, Rio Claro e Região)

 


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