A educação tem sido tomada, em tempos de "globalização",
como condição necessária para a inclusão em uma sociedade cada vez mais
baseada no conhecimento. Ao mesmo tempo, a visão neoliberal, ao reduzir
o papel do Estado, nega este direito aos trabalhadores, fazendo com
que a educação assuma um papel na exclusão social.
No Brasil estes processos são agravados por toda uma história de negação
de direitos, que dificultou o acesso à educação a negros, trabalhadoras
e trabalhadores, em particular aos localizados na zona rural. Torna-se
fundamental resgatar a dívida social com estes brasileiros, relegados
ao analfabetismo total ou funcional, que atinge milhões de pessoas.
A atual política educacional do governo brasileiro, iniciada no 1o
mandato de FHC, perpetua a exclusão, na medida em que não apresentou,
até o momento, um plano destinado à educação de jovens e adultos destinado
à erradicação do analfabetismo e à elevação da escolaridade média dos
brasileiros.
Além disto, o governo FHC desmonta o ensino público e acentua, com
a reforma do ensino médio, o chamado dualismo estrutural da educação
brasileira. Nesta visão, seria destinada ao povo a educação para o trabalho
(profissionalizante) enquanto apenas a elite teria acesso à educação
universitária.
A educação é condição necessária, embora não suficiente, para a transformação
social e, deve, portanto ser valorizada. Entretanto, rejeitamos a concepção
ingênua, veiculada incessantemente pela mídia, governo e empresariado,
que tenta atribuir à educação por si só um papel salvacionista.
Apesar de considerarmos a importante influência da escolarização e
da educação profissional na permanência e retorno ao mercado de trabalho,
rejeitamos a noção de empregabilidade, que tenta atribuir ao trabalhador,
individualmente, a responsabilidade pelo seu emprego, desprezando o
fato de este emprego ser condicionado a uma série de fatores macro e
micro econômicos (p.e. política de desenvolvimento e política de investimento
das empresas), além de processos sociais diversos (p.e. a discriminação
racial, de gênero e de geração).
Existe uma falsa dicotomia entre educação básica e educação profissional,
como se esta excluísse aquela, ou pior, a substituísse. Reafirmamos
a necessidade imperiosa da educação dos trabalhadores estar referenciada
no mundo do trabalho e na aquisição dos conhecimentos acumulados pela
humanidade, vinculados entre si pelo saber prático dos sujeitos educandos.
Também existe a necessidade de confluir objetivos, conteúdos e metodologia
da educação formal com os pressupostos da educação popular, na medida
em que esta possui um importante acúmulo na formação de sujeitos críticos,
conscientes do seu papel na sociedade e instrumentalizados para a intervenção
nos processos sociais, exatamente os elementos apontados por uma concepção
emancipadora de educação escolar.
A experiência construída pela Política Nacional de Formação da CUT
- PNF constitui-se em uma significativa referência para a construção
de projetos alternativos de políticas públicas para a Educação e a Educação
Profissional, o que credencia a CUT como importante interlocutora no
debate público nacional.
A Central Única dos Trabalhadores tem historicamente se posicionado
com veemência na defesa do direito de todos os trabalhadores à educação,
tendo participado ativamente da articulação de fóruns como o Coned,
na luta pela inclusão deste direito na Constituição de 1988 e nos debates
sobre a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional(LDB). E,
além disso, a CUT tem sido um espaço fundamental para a luta em torno
dos direitos e da valorização daqueles profissionais que atuam na educação,
condição necessária para uma educação de qualidade, comprometida com
os interesses populares.
Reafirmamos o compromisso de defesa da escola pública, universal, gratuita,
e de qualidade, pois somente ela pode garantir a todos os brasileiros
o direito à educação. Na atual conjuntura isto significa, por um lado,
modificar uma série de disposições legais que a impedem de desempenhar
este papel, e por outro, desenvolver projetos e metodologias alternativas
à educação tradicional, elitista, autoritária, tecnicista, desvinculada
da realidade do educando, que tem caracterizado a escola brasileira
até o momento, com honrosas exceções que confirmam a regra.
Neste sentido, a CUT tem desenvolvido experiências em educação que
questionam a finalidade da educação, o público prioritário, a seleção
de conteúdos, os métodos utilizados e os processos de gestão. Em particular,
estas experiências, que são financiadas com recursos públicos, não têm
o propósito de substituir o papel do Estado, mas têm representado uma
inovação, ao envolver educação profissional, educação básica e educação
para a cidadania.
No que diz respeito às políticas de Estado, a CUT tem reafirmado a
necessidade da democratização, transparência e do controle social sobre
a utilização dos recursos públicos destinados a esse fim. No que diz
respeito à esfera da produção, tem buscado negociar com o empresariado
e com os governos a formação dos trabalhadores, para além do interesse
imediato do mercado e da empresa.
Considerando tudo isso, nós, participantes da 1a. Conferência
da Política Nacional de Formação da CUT, representando os trabalhadores
rurais e urbanos, educadores populares e da escola formal dos 27 estados
brasileiros, reunidos em Belo Horizontes de 16 a 19 de novembro de 1999,
declaramos que a CUT deve propor à sociedade brasileira a luta pela
adoção de: