Reconhecer a experiência prática dos trabalhadores
brasileiros. Esta é a proposta que representantes dos ministérios
da Educação, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Exterior, da Saúde, do Trabalho e Emprego e do Turismo debateram
durante o Seminário de Certificação profissional,
realizado, dias 9 e 10 de setembro 2003, em Brasília.
O secretário de Educação Média
e Tecnológica do Ministério da Educação,
Antonio Ibañez Ruiz, relembrou, durante a abertura do evento,
sua experiência como professor de cursos de engenharia. Ele sempre
recorria a normas técnicas alemãs para lecionar. Normas
que eram sempre atualizadas, mas nunca contestadas, esclareceu.
Como foram produzidas em conjunto com trabalhadores e empresários
e depois homologadas pelo governo, a legitimidade das normas era a garantia
de sua permanência. A analogia serviu para mostrar aos cerca
de 80 participantes do seminário a importância da participação
da sociedade no debate do tema.
Segundo a diretora de Educação Profissional
e Tecnológica da Semtec, Ivone Maria Elias Moreyra, as discussões
serviram para estabelecer os princípios para a criação
de um sistema nacional de certificação profissional. A
proposta é permitir aos trabalhadores que não tiveram
condições de freqüentar uma escola e aprenderam sua
profissão na prática a oportunidade de terem sua experiência
reconhecida pelo mundo do trabalho.
O presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Raimundo Luiz Silva Araújo,
levou alguns números para o centro dos debates. Ele disse que
73% dos jovens brasileiros entre 15 e 17 anos estão hoje na escola,
mas na educação fundamental. Apenas 14% deles estão
no ensino médio. Os números do Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que existem 10.702.499
jovens nesta faixa etária. Luiz Araújo reconhece também
que boa parte dos conhecimentos essenciais ao trabalho está fora
da escola e isto deve ser levado em consideração na hora
de se pensar políticas públicas para a juventude.
Saúde A secretária de Gestão
do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde,
Maria Luiza Jaeger, disse acreditar que a experiência dos agentes
comunitários de saúde, em número de 200 mil em
todo o país que vivem em permanente processo de aprendizagem
e são formados no trabalho , e a de qualificação
profissional de auxiliares de enfermagem são exemplos importantes
para a criação de um sistema de certificação
profissional brasileiro. O Ministério da Saúde quer capacitar
e certificar, até 2004, 225 mil atendentes de enfermagem que
exercem suas atividades sem a qualificação profissional
necessária. O objetivo é possibilitar que esses trabalhadores
ofereçam aos usuários do sistema de saúde uma assistência
humanizada e serviços com maior qualidade. Além de eliminar
os riscos a que a população pode ser exposta pela atuação
de profissionais sem a devida qualificação. O projeto
promove também, paralelamente, a complementação
da escolaridade daqueles trabalhadores que atuam nos serviços
de saúde e que não tiveram a chance de concluir o ensino
fundamental, condição para a freqüência no
curso de profissionalização.
O secretário de Políticas Públicas
de Emprego do Ministério do Trabalho e Emprego, Remígio
Todeschini, afirmou que a criação de um sistema brasileiro
de certificação profissional está vinculada ao
da instituição de um sistema público de emprego.
Políticas públicas O diretor
do Centro Interamericano de Investigação e Documentação
sobre Formação Profissional do Uruguai (Cinterfor), Pedro
Daniel Weinberg, diz que duas questões precisam ser consideradas:
trabalhadores e empresários têm interesses distintos em
relação ao tema e este não está restrito
à certificação. Segundo Weinberg, a meta é
mais ampla e está relacionada à normalização,
formação e certificação. Segundo ele, certificação
é parte de um processo.
Para o especialista do Cinterfor Fernando Vargas, os
países que se aventuraram na elaboração de um projeto
de certificação profissional, o fizeram para medir seu
potencial humano. Mas não trabalharam somente para medir estoques
de conhecimento e sim para elaborar políticas públicas
de formação profissional e de emprego.
As experiências de certificação
no Brasil
Diversas experiências apresentadas no seminário
realizado em Brasília vão servir de exemplo para a criação
de um sistema nacional de certificação do trabalhador.
Dentre elas, foram apresentadas no evento, as vivenciadas pelo Serviço
Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Serviço Nacional
de Aprendizagem Comercial (Senac) e do Instituto de Hospitalidade, da
Associação Brasileira de Manutenção (Abraman),
da Petrobras e da Associação Brasileira de Normas Técnicas
(ABNT).
Fuente: Sitio web de SEMTEC - http://portal.mec.gov.br/setec/index.php?noticias=1